Ao contrário do que foi divulgado, a Plataforma Suborbital não chegou a ser resgatada após o lançamento do foguete Sonda 3 do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Natal, anteontem. A equipe de resgate do Comando da Aeronáutica que busca a Plataforma Suborbital, produzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, a 90 quilômetros de São Paulo, voltou ontem a vistoriar as águas próximas ao arquipélago de Fernando de Noronha, cerca de 24 horas após seu lançamento.
Porém, as chances de recuperar o aparelho são quase nulas. O equipamento ejetado na alta atmosfera pelo foguete Sonda 3, na manhã de sábado, estava munido de pára-quedas e uma bóia, além de sensores de localização. Sua queda foi provavelmente em mar aberto.
Os fortes ventos na costa do Rio Grande do Norte deslocaram a cápsula para longe do ponto de impacto, estimado em 400 quilômetros de Natal. A oficialização da perda do equipamento ocorrerá hoje e será feita pelo Inpe em conjunto com os militares do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Seu custo de desenvolvimento foi de R$ 800 mil e o valor unitário deste equipamento gira em torno de R$ 600 mil.
Segundo a direção da base de lançamento da Barreira do Inferno, em Natal, os radares conseguiram captar os dados enviados pela plataforma por apenas 50 segundos, o que corresponde aos primeiros 24 quilômetros de subida rumo às camadas mais altas da atmosfera terrestre. O trajeto total a ser percorrido tanto do foguete como do equipamento testado era de aproximadamente 400 km.
O compartimento de carga do Sonda 3 liberou a Plataforma Suborbital a 250 quilômetros da superfície, já sem o envio das informações telemétricas. Esses sinais são também importantes para detectar as coordenadas do aparelho e seu comportamento sob os efeitos da microgravidade. O tempo estimado para a execução dos testes era de 10 minutos, prazo que ela se manteria na alta atmosfera estabilizada por seus quatro foguetes propulsores.
Essa falha impossibilitou que os testes de vôo da Plataforma Suborbital, que será usada nas missões da Estação Espacial Internacional (EEI) e em futuros satélites nacionais, fossem concluídos. Um dos itens comprometidos foi o funcionamento do sistema de propulsão do equipamento. Porém, os técnicos do instituto conseguiram dados parciais sobre alguns dos experimentos que se encontravam a bordo da plataforma, como o receptor do Sistema de Posicionamento Global (GPS), do computador interno e do codificador de sinais de telemetria.
A bóia instalada no aparelho, que possibilitaria sua flutuação no mar, tem capacidade de sustentação calculada entre seis e oito horas. Depois disto, ela afunda e sequer os sensores de localização instalados na plataforma conseguem transmitir seus sinais de alta frequência para os rádios receptores dos dois helicópteros SuperPuma, da aeronáutica, que são responsáveis pelas buscas.
A operação de resgate foi encerrada no final da tarde de sábado, depois que os helicópteros fizeram uma varredura pelas bordas da área de impacto. São grandes as possibilidades que os fortes ventos tanto nas camadas mais altas como médias da atmosfera tenham alterado a rota estabelecida no projeto, influenciando o desempenho dos pára-quedas.
Como não havia a captação dos sinais emitidos pela Plataforma Suborbital, inexiste qualquer previsão de onde seja seu ponto de descida.

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