Plataforma P-36 pode afundar até amanhã
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sexta-feira, 16 de março de 2001
Chico Santos e Antonio Carlos de Faria Agência Folha Do Rio de Janeiro 
O presidente da Petrobras, Henri Phillipe Reichstul, disse ontem à tarde que a plataforma P-36 está afundando lentamente, e informou que se o processo não for revertido a unidade pode ir a pique em cerca de três dias, levando para o fundo, provavelmente, uma pessoa que está comprovadamente morta e nove desaparecidas.
Ontem, no final da tarde, cinco mergulhadores, sendo três engenheiros, haviam conseguido atingir pela primeira vez a plataforma, depois de uma tentativa frustrada pela manhã. Eles teriam feito uma inspeção com dois objetivos: localizar os desaparecidos e analisar as ações possíveis para a recuperação da estabilidade da plataforma.
A P-36, maior plataforma de processamento de petróleo do mundo, sofreu três explosões no intervalo de 20 minutos em uma das suas colunas de sustentação, no começo da madrugada de quinta-feira.
No acidente, uma pessoa morreu, uma ficou gravemente ferida e outras nove estão desaparecidas, com remotas chances de estarem vivas. A Petrobras informou que tanto o corpo do morto quanto os desaparecidos estão dentro da coluna danificada. Além das vítimas humanas, o acidente gerou a interrupção de produção diária de 80 mil barris de petróleo do campo de Roncador.
Caso a plataforma afunde, a Petrobras considera remotas as chances de que possa ser recuperada, pois ela está ancorada a uma profundidade de 1.360 metros, não havendo, segundo a empresa, experiências anteriores de operações de resgate nessas condições.
A inclinação da estrutura torna o trabalho a bordo muito arriscado e há risco de sucção no entorno da plataforma, caso ela afunde. Por precaução, as embarcações que participam da tentativa de resgate estão a cerca de 500 metros de distância da P-36.
A estatal pretende expelir a água que se encontra nos compartimentos inundados para que a plataforma retorne à posição original e possa receber pessoas para a busca dos desaparecidos e para que se investigue as causas do acidente.
A retirada da água seria feita com com injeção de nitrogênio no local, gás que tem a finalidade de ocupar o espaço onde está a água.
Para que isso seja viável, é necessário que mergulhadores façam dois buracos na estrutura de aço da coluna, um para a injeção do gás e outro para que a água seja expelida, segundo o gerente-geral da Bacia de Campos, Carlos Eduardo Sardemberg Bellot.
Pela manhã, nove mergulhadores da Petrobras se preparavam para abordar a plataforma, quando houve uma oscilação da P-36. Por causa disso, a operação foi abortada.
A missão do grupo era verificar se havia condições de segurança para começar a perfurar a coluna. Bellot disse que, iniciada a injeção do nitrogênio, transportado para o local por embarcações, a água que está na coluna poderia ser toda expelida no prazo de 12 a 24 horas, provavelmente, estabilizando a plataforma.
Segundo Reichstul, os poços de petróleo que abastecem a P-36 estão tampados, o que diminuiu os riscos de poluição ao derramamento do óleo contido na própria plataforma e nos dutos que chegam a ela. Esse óleo, cerca de 1,5 milhão de litros, deverá ser coletado pelas embarcações que estão em torno da plataforma, segundo a Petrobras.
Anteontem, Reichstul afirmou que não havia combustível armazenado na coluna que explodiu. A hipótese de vazamento de gás é admitida pela própria Petrobras como a provável causa, ainda não identificada, das explosões na P-36.


