É assim que o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, Fernando Carvalho, define uma plataforma de exploração de petróleo. ‘‘Às vezes, dentro de uma plataforma, você se dá conta de que está encostado em uma tubulação de gás de altíssima pressão. E se a solda estiver mal feita e se romper bem do seu lado?’’
Carvalho tem loga experiência no assunto. Além de dirigir o sindicato que reúne quase todos os empregados de plataformas do País, Carvalho trabalhou embarcado por 11 anos. ‘‘Desisti de trabalhar embarcado depois que minha filha nasceu. Quando ela era bebê, passei duas semanas no mar e ao voltar para casa percebi que ela não me reconhecia mais.’’ Os trabalhadores embarcados enfrentam ainda confinamento em estruturas metálicas no mar durante 14 dias consecutivos e depois passam 21 dias de folga. Os terceirizados têm 14 dias de descanso.
‘‘O trabalhador de uma tapeçaria ou de uma usina, por mais que se estresse, sabe que, no fim do dia, vai voltar para casa. O funcionário da plataforma passa 12 horas trabalhando e, depois, outras 12 horas preso no mar’’, diz Carvalho. ‘‘Ele fica abalado psicologicamente depois de 14 dias confinado, pois quando está em terra não tem o que fazer, uma vez que seus amigos e parentes estão trabalhando. É muito alto o índice de alcoolismo.’’
A dona de casa Maria Domingas, mulher de Luciano Cardoso de Souza, uma das vítimas do acidente com a P-36, contou que aquele seria o último embarque de seu marido. ‘‘Ele estava com depressão e não aguentava mais trabalhar em plataformas. Ele ia tirar férias e, quando voltasse, pediria para ficar em terra.’’ Souza trabalhava cerca de 20 anos em plataformas de petróleo e, segundo ela, comentava nos últimos tempos sobre a ocorrência de supostos vazamentos de gás na P-36.
Para atrair trabalhadores para as plataformas, as empresas de petróleo pagam adicionais significativos. Somados os bônus, o salário fica até 95% maior do que o de quem exerce função semelhante em terra. Trabalhando embarcado, um profissional de nível médio recebe cerca de R$ 2,2 mil por mês, enquanto um engenheiro ganha cerca de R$ 5 mil.

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