Vinte e oito dias após as explosões que causaram a morte de 11 funcionários e o afundamento da Plataforma P-36, avaliada em R$ 1 bilhão, um novo acidente em plataforma da Petrobras resultou ontem em vazamento de 26 mil litros de óleo na Bacia de Campos. A Plataforma P-7, que produz 15,6 mil barris diários no campo de Bicudo, abrigava 143 pessoas na hora do acidente. A produção foi paralisada e, segundo o gerente executivo de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras, Irani Varella, será retomada em até 48 horas.
O vazamento ocorreu às 4h45 em um dos 17 poços da plataforma, o Bicudo 12. A maioria dos funcionários foi retirada rapidamente numa operação de emergência. Não houve explosão, nem vítimas. O acidente ocorreu no dia em que o presidente da empresa, Henri Phillipe Reichstul, fez 52 anos.
Em atividade há seis anos, a P-7 está localizada a 120 quilômetros do litoral de Macaé, no norte fluminense. O acidente foi causado por um descontrole de produção em um dos dutos que recolhiam o óleo do fundo do mar. Segundo Varella, houve um ‘‘kick’’, descontrole parcial, estágio anterior ao que os profissionais da área chamam de ‘‘blow out’’, descontrole total. Ficaram a bordo 37 trabalhadores, das brigadas de emergência e incêndio. Parte do convés, próxima à torre, ficou alagada de óleo.
Embarcações especializadas em controle ambiental foram mobilizadas para ajudar a combater o vazamento. Os barcos levavam barreiras de contenção e equipamentos para recolher e armazenar petróleo, com capacidade para mais de 2 milhões de litros.
Dirigentes de órgãos de controle ambiental, porém, consideraram insuficientes as providências da Petrobras. O Campo de Bicudo está em produção desde os anos 80, operando sobre uma lâmina d’água de 210 metros.
A mancha rapidamente se espalhou por cerca de 43 quilômetros quadrados de mar. O coordenador-regional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Carlos Henrique Abreu Mendes, deslocou-se para Macaé para acompanhar o combate à mancha e, com outros representantes de órgãos ambientais, sobrevoou a área atingida pelo vazamento num avião oferecido pela Petrobras. Ele afirmou que a empresa será multada, mas não precisou o valor.

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