Plásticos oxibiodegradáveis prejudicam meio ambiente
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os materiais plásticos oxibiodegradáveis, que recentemente começaram a ser usados em sacolas de supermercados no Paraná, podem representar perigo maior ao meio ambiente do que os plásticos normais, que levam até 500 anos para se decompor. Esta foi uma das principais conclusões do 5º Simpósio Plastivida, realizado ontem em Curitiba para discutir alternativas sócio-ambientais para plásticos após o consumo. O evento, promovido pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado do Paraná (Simpep) em parceria com a organização não-governamental Plastivida, contou com a presença de especialistas do Brasil e do exterior.
Para discutir a degradação de materiais plásticos e o impacto deste processo no meio ambiente, a Plastivida trouxe a Curitiba o especialista norte-americano Ramani Narayan, professor da Universidade de Michigan. Ele defendeu que a oxibiodegradação, em que a decomposição do material plástico acontece em até 18 meses, sendo acelerada por meio da inclusão de aditivos em sua fórmula, não representa menos perigos à natureza. Ele provou que, quando se acelera o processo de degradação, a liberação de metais como níquel, cobalto e manganês fica acima do aceitável, explica o diretor-executivo do Simpep, Moacir Moura. Além disso, como esse material se degrada mais rápido, ele se esfarela em partículas, ficando invisível a olho nu e não podendo ser reaproveitado de maneira alguma.
A utilização de plásticos oxibiodegradáveis no Paraná vem aumentando nos últimos meses, principalmente para a fabricação de sacolas de supermercados. Isso porque, em maio, o Ministério Público Estadual (MPE) chegou a cobrar dos mercados de Curitiba e região que substituíssem as sacolas tradicionais, que levar até 500 anos para se decompor. A estimativa do MPE é que, mensalmente, cerca de 80 milhões dessas sacolas, equivalentes a 20 toneladas de plástico, vão para aterros e lixões no Estado. A polêmica também atingiu outros Estados. Em São Paulo, uma lei que obrigava os comerciantes a usar sacolas oxibiodegradáveis acabou sendo vetada pelo governador José Serra (PSDB).
Para Moacir Moura, a principal solução para diminuir o impacto do plástico no meio ambiente é investir ainda mais em reciclagem. A saída é aumentar a consciência ambiental das pessoas, para aumentar a reciclagem pós-consumo, diz o diretor. Atualmente, entre 19% e 20% da produção de plástico no Brasil é reciclada, o que representa cerca de 500 mil toneladas do produto anualmente. O Paraná é responsável pelo reaporveitamento de cerca de 66 mil toneladas por ano. O ideal seríamos chegar nos índices da Europa, onde entre 37% e 40% da produção é reciclada, declara Moura.
Para o diretor do Simpep, a conscientização para reciclagem beneficiaria não apenas o meio ambiente. Essa atividade traz também um retorno social, com geração de emprego e renda. Atualmente, entre 60 e 65 mil pessoas trabalham com reciclagem no Paraná, afirma.


