São Paulo, 19 (AE) - O que você faria com R$ 100 mil e 120 toneladas de polietileno de baixa densidade (PEBD)? Uma pesquisa informal mostrou à empresária Mariângela Guazelli, que embora a indústria se preocupe muito com as características da máquina de lavar, do sabão em pó e do amaciante, a área de serviço está abandonada quanto à resolução de pequenos grandes trabalhos. A separação de cada pé dos pares de meias, que se perdem no turbilhonamento da máquina de lavar ou se vão pelo cano de sucção na centrifugação, é um deles. Preservar e encontrar as meias em pares certos, porém, não é mais problema.
Para isso, a diretora da CM Comercial, Mariângela Guazelli, investiu seus R$ 100 mil no desenvolvimento do design, do molde (matriz) e do marketing no encontro das meias perdidas. Criou um pezinho flexível com dois círculos, que possuem um sistema de travas, para que as meias passem por ali, mas não se desprendam. Vão para a máquina de lavar quantos pezinhos forem necessários, sem atrapalhar o funcionamento.
Para chegar a essa solução, outra máquina, uma injetora, entra em cena. Em setembro, início da produção, foram fabricados 9 milhões de pezinhos (3 milhões de kits), distribuídos por atacado e no varejo, como as lojas de R$ 1,99 - que substituem as importações - e supermercados do País. O preço do kit no varejo varia de R$ 1,70 a R$ 1,90.
A comercialização engrenou, inclusive com negociações para exportar ao Mercosul, e neste mês a produção saltou para 5 milhões de kits (15 milhões de pezinhos), dos quais 3 milhões para o mercado interno e 2 milhões direcionados à Argentina, ao Paraguai e ao Uruguai. A embalagem tipo blister, também é feita pela CM. Uma lâmina de papelão e a parte transparente é de PVC.
A novidade, que a princípio parece supérflua, para quem não coloca os pés na lavanderia, atraiu a Brasmotor, fabricante da linha de eletrodomésticos Brastemp. A CM está negociando com a indústria o teste dos pezinhos. Caso sejam aprovados, na embalagem (kit com 3) será impresso o seu aval: "Produto aprovado pela Brastemp". A marca Ariel de sabão em pó, fabricado pela Procter&Gamble, também se interessou pela invenção, e negocia testes do produto com a CM. Mariângela Guazelli ainda não sabe que tipo de promoção poderá ser feita com a Procter&Gamble.
O próximo passo na área de serviço, adianta Mariângela Guazelli, será a fabricação de outros componentes da família da nova geração de prendedores: cueca, calcinha e sutiã - outros perdidos no espaço da máquina. "Eles vão ser produzidos em duas versões: com e sem perfume", planeja ela. Para colocar a idéia em prática, além de investir outros milhares de reais, a diretora da CM vai aproveitar um pouco mais a capacidade ociosa da injetora da empresa Sejoveit - indústria transformadora instalada em Guarulhos, SP.

mockup