PLANTAS MEDICINAIS - Equilíbrio que vem da natureza
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de agosto de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Quando o assunto é medicamento, quem não deseja algo que tenha menor custo e menos efeitos colaterais? Pois é isso o que a fitoterapia promete. E ela não é exatamente uma novidade, mas uma retomada da sabedoria popular no tratamento e na prevenção de doenças.
Diretamente da horta das ''vovós'', os fitoterápicos vêm ganhando espaço entre os brasileiros. Segundo informações da Associação Médica Brasileira de Fitomedicina (Sobrafito), eles já correspondem a 3% do mercado farmacêutico brasileiro e movimentam R$ 420 milhões por ano.
Para o presidente da Sobrafito, o médico José Roberto Lazarinni, de São Paulo, este crescimento deve acelerar nos próximos anos. Um dos motivos, segundo ele, são o custo e o tempo para a pesquisa de novos produtos. Ele explica que no caso de um medicamento sintético gasta-se cerca de US$ 800 milhões e 15 anos de pesquisa, enquanto para o fitoterápico é necessário US$ 5 milhões e oito anos de estudo.
Há dois anos, o Ministério da Saúde solicitou a elaboração de uma Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares, que ainda deverá ser aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS). Isso engloba as áreas de acupuntura, homeopatia, medicina antroposófica e fitoterapia.
Em Londrina, os fitoterápicos já vêm sendo usados em 13 unidades básicas de saúde (UBS) da zona rural e em uma da zona urbana. São 19 plantas, como guaco, camomila, quebra-pedra e confrei, utilizados na forma de xaropes, cápsulas, gel, loção e pomadas. Em Apucarana, oito escolas já iniciaram o cultivo de plantas medicinais e os alunos têm aula sobre o assunto (leia texto nesta página).
Mais que uma tendência, a fitoterapia é um dos recursos da medicina naturista, que segundo o médico e fitoterapeuta Paulo Zanetti, de Londrina, permite uma desintoxicação orgânica, o reequilíbrio das energias, e a oportunidade do próprio organismo ativar seu sistema imunológico. Com ''poderes'' analgésicos, antibióticos e antiinflamatórios, entre outros, as ervas podem ser usadas em qualquer idade, por crianças, adultos e idosos.
Mas, alto lá, quem pensa que é só fazer um ''chazinho'' e está tudo bem. Usadas aleatoriamente, alerta Zanetti, as ervas podem intoxicar e até matar. ''Casos das ervas que são venenosas, como a comigo-ninguém-pode, espirradeira, barba-de-mão, e erva-de-rato'', explica.
Para Zanetti, a garantia de um bom resultado quando se usa o fitoterápico está intimamente ligada a um bom diagnóstico. ''O diagnóstico tem que ser bem feito, por isso a necessidade de um profissional. Não adianta a pessoa 'achar' que tem uma gastrite, por exemplo, e comprar uma raiz para fazer um chá. Às vezes não é uma gastrite, ou é causada por um medicamento ou por tabagismo. E tudo isso faz diferença'', alerta.
E mesmo as ervas ''de fundo de quintal'', como a losna, a arruda, e a erva-de-Santa-Maria, explica, quando não bem dosadas podem fazer mal. ''Em cápsulas ou in natura, a indicação é feita de acordo com a idade do paciente e sua doença'', explica.
Já a associação da fitoterapia com a alopatia, defende Zanetti, pode trazer benefícios ao paciente. ''Porque não associar o uso de ervas medicinais a um paciente que tem câncer e faz tratamento quimioterápico, por exemplo? O princípio da cura parte do reequilíbrio das energias, da desintoxicação orgânica e do aumento do sistema imunológico'', afirma.
Autor do livro ''O Evangelho da Natureza - Tratamentos Naturais e Alternativos à base de Ervas Medicinais'', Zanetti vê a fitoterapia como um campo promissor. ''No Brasil temos mais de 250 mil espécies de plantas medicinais, e nem 5% ainda foram pesquisadas ou utilizadas''.


