Plantas exóticas viram praga em áreas de conservação
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba-O costume de trazer na mala mudas de plantas diferentes para plantar no quintal de casa pode trazer consequências irreparáveis para o meio ambiente. O alerta é da presidente do Instituto Horus e assessora técnica do The Nature Conservancy (TNC), Silvia Ziller, que apresentou no 4º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação dados do primeiro levantamento nacional de espécies exóticas invasoras. O congresso terminaria ontem, em Curitiba.
O levantamento está sendo feito por ONGs, universidades e órgãos públicos em todo o Brasil, verificando plantas e animais de espécie exótica invasora. O trabalho, iniciado em 2002, já contabilizou 156 tipos. ''É bastante, mas a lista ainda vai crescer'', avisa Silvia, que é engenheira florestal com doutorado em Conservação da Natureza. Ela acredita que o levantamento deve atingir de 300 a 400 espécies. Na Nova Zelândia, país bem menor que o Brasil, foram identificadas 240 espécies.
Segundo a pesquisadora, o principal problema de ''importar'' plantas exóticas é que elas podem se tornar bastante vigorosas, expulsar espécies nativas e também os animais que se alimentam delas, alterando assim o ecossistema.
Para explicar os prejuízos ao meio ambiente, Silvia faz uma comparação com um derramamento de petróleo causado por algum acidente. ''O efeito vai desaparecer depois de anos. Mas a invasão biológica não vai sumir'', explica. Treze por cento das espécies exóticas invasoras chegaram ao Brasil de forma acidental. O restante veio de maneira proposital.
Pelo menos 37 Unidades de Conservação no Brasil estão contaminadas biologicamente por algum tipo de espécie exótica invasora. Destas, 25 estão localizadas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sendo que a árvore pinus aparece como a espécie invasora mais comum em todos esses locais. No Paraná, oito áreas foram contaminadas pelo pinus e outras espécies, como lírio do brejo, néspera, uva do japão e até o famoso beijo, flor que ornamenta muitos quintais e canteiros de várias cidades. Entre os animais, Silvia cita a rã touro, o caramujo gigante africano e o javali.
O pinus aparece em primeiro lugar entre espécies invasoras devido à facilidade de germinação, principalmente nas áreas abertas (os campos) onde há abundância de luz. Além do Parque Estadual de Vila Velha, outras sete áreas estão contaminadas pelo pinus: Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba, Parque Estadual do Cerrado, Parque Estadual da Serra da Baitaca, Parque Nacional da Ilha Grande, Parque Estadual do Guartelá, Parque Estadual do Monge e Área de Interesse Ecológico da Serra do Tigre.


