A proliferação de plantas aquáticas, conhecida como macrófitas, que chamou a atenção no Lago Igapó, é um desequilíbrio ambiental que também ocorre em outras regiões do país. No Mato Grosso do Sul, o lago da Usina Hidrelétrica Mimoso, em Ribas do Rio Pardo (95 km a leste de Campo Grande) enfrenta situação similar, com plantas flutuantes ocupando cerca de 25% da área de 1,5 mil hectares.

De acordo com as informações do jornal Correio do Estado, a concessionária da PCH (Pequena Central Hidrelétrica), com potência instalada de 29,5 MW, retirou mecanicamente parte das macrófitas e represou outra parcela próxima à foz do Ribeirão Serrote para conter a dispersão das plantas. A empresa afirma que a situação está sob controle, mas o excesso de vegetação flutuante interfere na operação da usina e exige limpezas frequentes nos filtros das turbinas. Entre as possíveis causas, técnicos citam a escassez de chuvas e a baixa vazão do Rio Pardo, porém há suspeitas de lançamentos de efluentes de uma indústria de celulose próxima.

Em Londrina, a situação é acompanhada pela Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) e por pesquisadores da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), que também investigam possíveis pontos de esgoto clandestino. A melhoria na qualidade da água do Igapó 2 observada após as últimas chuvas reforça a relação entre regime pluviométrico, diluição de nutrientes e controle da proliferação de plantas aquáticas.

O paralelo entre os dois casos mostra que a proliferação de macrófitas é fenômeno recorrente em reservatórios, mesmo com usos diferentes - lazer, abastecimento ou geração de energia - e que a combinação entre fatores naturais e ações humanas, como o lançamento de nutrientes, pode agravar o problema. Para especialistas, medidas de monitoramento contínuo e manejo mecânico ou hidráulico são essenciais para evitar impactos ambientais e operacionais.

Macrófitas viram biocombustível no estado vizinho

O excesso de plantas aquáticas que compromete lagos e reservatórios pode ser transformado em inovação tecnológica e energia limpa. Em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, o Instituto SENAI de Inovação em Biomassa desenvolveu o projeto Macrofuel, responsável por produzir biocombustível sustentável a partir dessas macrófitas. A iniciativa conquistou recentemente a primeira patente internacional da instituição, com registro nos Estados Unidos e no Brasil, reforçando a proteção da tecnologia no mercado nacional.

Imagem ilustrativa da imagem Plantas aquáticas: problema e solução no Mato Grosso do Sul
| Foto: Senai-MS/Divulgação

O projeto surgiu para enfrentar um problema ambiental real: a proliferação de plantas aquáticas nos reservatórios de Jupiá e Ilha Solteira, que impactavam a operação das hidrelétricas do grupo CTG Brasil, parceiro do SENAI. A tecnologia permite transformar essas plantas em bio-óleo via pirólise rápida, que é convertido em diesel verde utilizável em motores convencionais, criando uma alternativa energética limpa e alinhada com a bioeconomia circular.

“Essa patente mostra que estamos próximos do estado da arte e criando valor para nossos parceiros”, afirma João Gabriel Marini, diretor do ISI Biomassa. Para o pesquisador Paulo Renato dos Santos, responsável pelo projeto, a metodologia inédita não apenas soluciona um problema ambiental, mas também abre caminho para novas pesquisas e aplicações industriais. “A tecnologia protege os resultados e permite testar novos produtos derivados, ampliando seu potencial de impacto”, explica.

Imagem ilustrativa da imagem Plantas aquáticas: problema e solução no Mato Grosso do Sul
| Foto: Senai-MS/Divulgação

Além da geração de energia, o projeto contribui para reduzir custos e impactos operacionais das hidrelétricas, mitigando obstruções causadas pelas macrófitas. Com investimento de R$ 4,6 milhões, via ANEEL e EMBRAPII, a iniciativa mostra como plantas invasoras podem se tornar recursos estratégicos.(Com informações do Senai-MS)

mockup