Cerca de 80% da população do Estado que ganha até cinco salários mínimos é excluída dos planos de financiamento habitacional. Para o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) e coordenador da etapa estadual da Conferência das Cidades, Luiz Cláudio Romanelli, isto ocorre porque a análise é centrada na capacidade de pagamento das famílias de baixa renda. ''Esta é uma das causas do alto déficit habitacional no Paraná'', apontou Romanelli. O Paraná não possui índices atualizados sobre o déficit de moradias. ''O que se faz necessário no Brasil é uma reformulação da política habitacional, e entendê-la como um instrumento de reinserção social e geração de renda. A política habitacional deveria ser uma prioridade para o governo do Estado e um item da agenda social do Brasil.''
Este é um dos problemas que está sendo debatido por 460 representantes locais do poder público e legislativo; organizações não-governamentais, institutos de ensino e pesquisa; trabalhadores; concessionários públicos; representantes de movimentos populares e empresários durante a etapa municipal da Conferência das Cidades, que está acontecendo simultaneamente em quase todas os municípios paranaenses. As discussões servirão para o estabelecimento de diretrizes de ação para o enfrentamento de problemas referentes ao meio-ambiente, políticas e fontes de financiamento para planejamento urbano e transporte. O tema desta primeira etapa da conferência é ''Cidade para todos: construindo uma política democrática e integrada para as cidades''.
De acordo com o coordenador da etapa municipal da conferência e diretor presidente da Companhia de Habitação (Cohab) em Londrina, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, ontem seriam organizados seis grupos de atuação para debater outros assuntos que estão na pauta da conferência, como formulação, institucionalização e implementação da política de desenvolvimento urbano com participação social; melhoria do planejamento e gestão territorial; definição de fontes e mecanismos estáveis de financiamento do desenvolvimento urbano; urbanização, regularização fundiária e integração de assentamentos humanos precários e acesso à moradia digna; transporte, mobilidade urbana, melhoria da gestão e qualidade dos serviços urbanos e saneamento ambiental. Cada grupo ficará responsável por um assunto que consta na pauta do evento.
Hoje deverão ser eleitos 30 delegados que representarão Londrina na etapa estadual, que deve ocorrer em Foz do Iguaçu entre os dias 19 e 20 de setembro. A etapa nacional acontece em Brasília entre os dias 23 e 26 de outubro.

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