Brasília - Nos próximos seis meses o governo federal pretende fazer uma ação emergencial de combate à violência que atinge os jovens, a partir de articulação dos programas sociais já existentes. A proposta saiu em uma reunião ontem, no Ministério da Justiça. ''Queremos integrar e fortalecer as políticas para crianças e adolescentes'', explicou o secretário de Estados dos Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro. ''Só temos seis meses antes do fim do governo, por isso não vamos reinventar a roda. Vamos dar um tratamento de extrema urgência na área de prevenção.''
As estratégias desse plano emergencial vão ser definidas nas próximas duas semanas por um grupo de representantes designados pelos ministros e secretários de Estado que participaram da reunião. Mas a idéia é encontrar maneiras de usar programas como o Bolsa-Escola, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), Primeiro Emprego e Agente Jovem, entre outros, para evitar que os jovens sejam alvo da violência ou se tornem agentes dela como ocorre quando eles se envolvem com o tráfico de drogas, por exemplo.
Por isso, as ações vão se concentrar nas regiões mais violentas. Inicialmente, o Estado do Rio e dois bairros carentes da cidade de São Paulo vão ter prioridade. Um desses bairros deverá ser o Jardim Ângela. Já o Rio foi escolhido porque vive uma ''situação emergencial'' e porque é uma cidade onde a sociedade civil está organizada e é bastante ativa, na opinião do secretário Pinheiro.
''Queremos concentrar os programas do governo nessas regiões violentas'', explicou a secretária de Estado de Assistência Social, Wanda Engel. ''Sabe-se que a violência é maior onde faltam serviços sociais'', acrescentou. Wanda e o secretário Pinheiro vão coordenar o grupo que vai definir o plano emergencial.
Os jovens devem ser o foco, porque eles são as principais vítimas da violência. ''Os estudos mostram que a taxa de homicídio no País está aumentando por causa da concentração de assassinatos de jovens'', disse Pinheiro, referindo-se ao Mapa da Violência 3, uma pesquisa da Unesco, Instituto Ayrton Senna e Ministério da Justiça. O Mapa, divulgado há pouco mais de dois meses, mostrou que a taxa de homicídio na faixa etária de 15 a 24 anos é muito maior do que na população em geral: em 2000, foi de 52,1 casos por grupo de cem mil pessoas, entre os jovens, enquanto na população foi de 27.
Por isso é necessário criar ações para que os jovens das camadas mais pobres da população tenham acesso à educação, cultura, lazer, esportes e à capacitação profissional, para que consigam ingressar no mercado de trabalho. O objetivo, segundo a secretária Wanda Engel, é que essa articulação seja o primeiro passo para se criar uma política específica para a juventude no Brasil.
Escolas O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, sugeriu que as escolas sejam usadas como base para as ações. ''Nas escolas, estão organizadas as Associações de Pais e Mestres (APMs), instâncias importantes não só na discussão dos problemas da escola, como também do bairro e das dificuldades por que passam as famílias daquela região'', explicou.
O secretário Pinheiro lembrou que, além das ações preventivas, é preciso que o governo tome medidas na área de segurança pública, sobretudo no combate do crime organizado. ''Não adianta organizar a sociedade civil para enfrentar o crime organizado. É preciso reprimir o contrabando, a lavagem de dinheiro e o tráfico de drogas.''

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