Um plano integrado de controle e prevenção das verminoses intestinais, a ser entregue aos ministros da Saúde de toda a América Latina, será divulgado hoje por um grupo de pesquisadores de 20 países reunidos na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio, com a chancela da Organização Mundial de Saúde (OMS).
O relatório vai propor um plano de ação baseado em três linhas básicas: educação, saneamento e campanhas de administração de remédios.
No Brasil, os únicos dados sobre o tema são de uma pesquisa feita em 1987 por um laboratório farmacêutico privado, que constatou uma situação alarmante: 60% das crianças de 7 a 14 anos, examinadas em dez capitais, tinham algum tipo de verme. ‘‘Não temos números atualizados, nem dados sobre a área rural, onde o problema é mais grave’’, apontou a pesquisadora Léa Camillo Coura, da Fiocruz, coordenadora do Seminário Ação Integrada de Controle das Verminoses na Infância, encerrado ontem.
O encontro foi organizado também pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A proposta que deve ser aprovada é a de promover nas escolas uma campanha de esclarecimento sobre prevenção de doenças como esquistossomose e amarelão ou provocadas pela lombriga ou parasitas tricocéfalos.
Os governos serão chamados a melhorar as condições de higiene e saneamento nos países latino-americanos e os pesquisadores vão recomendar a realização de campanhas para administração de remédios de seis em seis meses para crianças de 2 a 14 anos.
‘‘O tratamento não é caro, é eficiente e, em alguns casos, o remédio é administrado em dose única, o que possibilita a realização da campanha num só dia’’, disse Léa. Para ela, o Brasil não precisaria adotar um modelo centralizado no governo federal para combater o problema. ‘‘Os governos estaduais e municipais poderiam fazer suas próprias campanhas a partir das escolas’’, sugeriu.

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