O governo já tem um plano de racionamento para aplicar, caso as medidas de racionalização do uso de energia não surtam o efeito desejado. Está previsto o corte no fornecimento de eletricidade começando por aquilo que é considerado supérfluo - por exemplo, a iluminação de monumentos. Prédios públicos e privados, nesta ordem, também ficarão sem energia em determinados horários. As situações mais extremas seriam ruas sem luz e cortes de eletricidade de residências e do comércio. Se o plano for aplicado, haverá um sistema de rodízio para evitar transtornos à população.
Tentando não chegar ao racionamento, o Sistema Eletrobras deve gastar cerca de R$ 30 milhões numa campanha publicitária para convencer a população a reduzir o consumo de energia nos próximos meses. Durante 54 dias serão inseridas peças nas emissoras de TV e rádio e publicados anúncios nos principais jornais e revistas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Na primeira fase da campanha, que começa hoje, serão gastos R$ 4 milhões. O montante a ser desembolsado pela estatal daria para comprar no mercado ‘‘spot’’ de energia - onde o preço varia conforme a oferta e a procura e, portanto, é mais caro - cerca de 150 mil megawatts (MW), mais do que o dobro da capacidade instalada nacional (72 mil MW). O mesmo dinheiro permitiria adquirir 375 mil MW de termelétricas, 420,83% mais do que a capacidade instalada.
O início da campanha será hoje à noite com o ministro de Minas e Energia, José Jorge, fazendo pronunciamento pelo rádio e TV. Durante 3 minutos e 30 segundos, José Jorge irá explicar a importância da economia de energia. O discurso será centrado em três partes: a primeira enfocará a redução dos investimentos nos anos 80 e 90; depois o ministro mostrará que o Plano Real permitiu o aquecimento da economia, o que resultou no aumento da demanda pela eletricidade; e, por fim, irá explicar que a falta de chuvas reduziu os níveis dos reservatórios. Ele insistirá em que, sem economia de energia, haverá racionamento.
As peças publicitárias preparadas pela empresa de publicidade baiana Propeg terão a tomada de luz como símbolo. O desenho preparado para a TV mostra duas tomadas conversando sobre a importância de se evitar o desperdício de energia elétrica. ‘‘O pessoal da publicidade não fechou os gastos, pois está negociando com as empresas que publicarão os anúncios’’, disse um assessor do presidente Fernando Henrique Cardoso. A conta será repassada integralmente para a Eletrobras. Para técnicos do setor elétrico, a campanha não bastará para evitar o racionamento.
O secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, afirmou que a publicidade permitiria reduzir o consumo em cerca de 5%. Como a previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é de que os níveis dos reservatórios no Sudeste ficarão em 49% no fim do mês, para atravessar o período da escassez de chuvas sem falta de energia é preciso uma economia de 12,2 pontos percentuais. ‘‘É como uma Ferrari subindo uma ladeira sem combustível para completar a viagem’’, explicou Arce. ‘‘O mesmo ocorre com os reservatórios das hidrelétricas. Se não possuem água suficiente para a produção de energia, é difícil atender à demanda, e o racionamento ganha maior dimensão.’’

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