Plano de resgate de número 1 do PCC prevê até helicópteros
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sexta-feira, 02 de novembro de 2018
Rogério Pagnan <br> Folhapress 
São Paulo - O plano do PCC descoberto semanas atrás pelo governo de São Paulo para o resgate de chefes da facção criminosa em presídios previa ação com mercenários estrangeiros, dois helicópteros de guerra, lança-mísseis e metralhadoras, tudo isso a um custo estimado de R$ 100 milhões.

Os detalhes da planejada investida criminosa, que teria como alvo principal o resgate de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, foram apurados pela Folha de S.Paulo com integrantes da cúpula da segurança pública do estado e aparecem em ofício do deputado federal e senador eleito Major Olimpio (PSL) encaminhado ao governador Márcio França (PSB) e aos comandos do Exército e da Aeronáutica responsáveis pelas tropas no Estado de São Paulo.
Segundo o parlamentar, as informações foram repassadas a ele por agentes de segurança que temem uma carnificina na região de Presidente Prudente, onde estão presos os chefes do PCC.
Embora descoberto, o plano ainda não teria sido abortado pelos criminosos. "Estamos falando de uma operação e um vulto que transcendem a competência e possibilidade de enfrentamento da força policial estadual. Na hora que acontecer mesmo, vai se lamentar as mortes. Não posso me omitir."
Marcola cumpre pena de 232 anos e 11 meses por formação de quadrilha, roubo, tráfico de drogas e homicídio na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. A possibilidade de arrebatamento levou a Justiça a interditar, desde o início de outubro, o aeroporto da cidade. Na ocasião, o juiz demonstrou a dimensão do temor. "Há enorme preocupação com o aeroporto municipal, pois [fica] muito próximo ao estabelecimento prisional, permitindo logística para atuação de referida organização criminosa", diz despacho do juiz. "A medida se mostra absolutamente necessária, pois evitará problemática maior."
Outro demonstrativo do tamanho da preocupação do governo paulista com tal plano é a manutenção em Venceslau de um contingente de policiais militares que inclui grupos de elite como Rota e COE (operações especiais), além de veículo blindados capazes de resistir a tiros de fuzil. No início do mês, ao ser procurado pela reportagem, o governo paulista negou o plano de resgate e disse que se tratava de um treinamento de rotina das forças policiais locais.
A reportagem apurou que esse efetivo foi enviado ao oeste de São Paulo quando setores de inteligência da SAP (Secretaria de Estado da Administração Penitenciária) detectaram o tal plano. Essa informação foi repassada pelo secretário Lourival Gomes (Penitenciária) ao colega Mágino Alves Barbosa Filho (Segurança Pública), que determinou o envio das tropas - sem prazo para deixar à região.
"As informações trazem que diversas forças paramilitares iranianas, nigerianas e membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) teriam sido contratadas para tal empreitada criminosa, o que foge das ações perpetradas por criminosos comuns", diz o ofício enviado pelo Major Olímpio às autoridades.
"Devendo haver [portanto] a participação conjunta da Policia Militar de São Paulo, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira para monitoramento, restrições e demais ações preventivas e repressivas emergenciais, inclusive com restrições ao espaço aéreo da região envolta ao Presídio de Presidente Venceslau", afirma outro trecho do documento.
Pelas informações detectadas pelos setores de inteligência do governo, os presos planejam uma rebelião no presídio, para, ao mesmo tempo, criminosos do lado externo tentarem romper os muros da penitenciária de Presidente Venceslau onde está Marcola.
Pelas informações encaminhadas pelo Major Olimpio ao Exército e à Aeronáutica, os criminosos também pretendem usar metralhadoras .50 para impedir a saída de policiais de quartéis e os helicópteros da PM de levantarem voo, como já teria ocorrido em Araraquara e Bauru, em outras ações criminosas. Também usaria explosivos para destruir as torres de vigilância dos presídios. Outra tática comum é queimar veículos para impedir acesso nesses locais.
Em junho deste ano, os setores de inteligência da PM e da Secretaria de Administração Penitenciária já tinham detectado um outro plano de resgate de integrantes do PCC nessa mesma unidade prisional, este atribuído ao preso Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, um dos chefes do PCC presos em Venceslau.
Naquele plano, a ideia dos criminosos era usar um caminhão guincho, grande e pesado, preparado com chapas de aço. A proteção serviria para resistir a tiros da polícia e, ao mesmo tempo, ajudar a derrubar os muros da prisão. O veículo também teria janelas para tiros contra as forças de segurança.


