Plano de meta inflacionária provoca disputa de índices
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 11 (AE) - A Fundação Getúlio Vargas (FGV) terá de ampliar a coleta de dados para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), caso este seja o escolhido para o plano de meta inflacionária do governo.
Calculado com base em dados do Rio e de São Paulo, o IPC detém a preferência do diretor de Pesquisas do Banco Central, Sérgio Werlang, que já dirigiu o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, e hoje trava uma verdadeira guerra com a equipe econômica para que a taxa dite o programa de metas.
A outra opção é Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados de 11 regiões metropolitanas do País. "Acho que alguns especialistas defendem o IPC por que a Fundação é uma instituição independente, enquanto o IBGE é um órgão do governo", comenta o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney de Mello Cota, argumentando que, na prática, não há muita diferença de metodologia no cálculo dos dois índices.
"Se a idéia é ter uma indicação nacional da variação de preços, o IPCA é o mais indicado porque cobre todas as cinco regiões brasileiras", alega Márcia Quinstlr, chefe do Departamento de Índices de Preços do IBGE. Lembrando que a taxa alcança famílias de consumidores com renda que varia entre um e 40 salários mínimos, a analista afirma também, que o IPCA é uma taxa mais abrangente.
O IPC da Fundação Getúlio Vargas utiliza dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Rio e São Paulo e limita a renda entre 1 e 33 salários mínimos. Mas, como lembra Cota, não sofreu descontinuidade em seus 47 anos de existência, enquanto o do IBGE teve algumas interrupções. Para o analista, a utilização do índice para um parâmetro nacional exigiria a inclusão de, pelo menos, mais quatro capitais, uma para cada região do País, fora o Sudeste, que já está representado.
Mais do que tempo e pessoal, a extensão demandaria recursos. Hoje, a realização da POF, feita de cinco em cinco anos, custa R$ 400 mil. Seria necessária uma importância equivalente para estender a pesquisa às outras quatro cidades e mais R$ 50 mil mensais para a coleta sistemática de dados. O governo já disse que não tem recursos para isso.
Cota considera que o IPC daria mais credibilidade ao governo já que "um índice tem de ser da confiança de todos". "O IBGE faz um trabalho exemplar, mas sempre carregará o estigma de ser governo", comentou. Ele usou um exemplo recente para ilustrar a possibilidade de o governo querer dar um "jeitinho" na inflação a seu favor. "Os índices da FGV eram considerados oficiais até 85, quando o então ministro Dilson Funaro veio à Fundação para tentar mudar o peso de alguns produtos no cálculo, por causa de problemas de safra", relata. "A direção da FGV não aceitou e os nossos índices passaram a não ser mais oficiais."


