Plano de expansão atrasa em todo o Paraná
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quarta-feira, 11 de julho de 2018
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Dentro do Plano de Expansão da Radioterapia no SUS lançado em 2012 pelo Ministério da Saúde, estavam previstos sete aparelhos para o Paraná. Dois iriam para Curitiba e outros cinco municípios receberiam uma máquina cada um: Londrina, Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), Campo Mourão (Centro-Oeste), Guarapuava (Centro) e Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba).
Em Londrina, o Hospital do Câncer deverá receber um acelerador linear, mas a previsão inicial era de que o aparelho começasse a operar em 19 de fevereiro deste ano. A projeção não se confirmou, mas, segundo a gestora de Ações Estratégicas da unidade, Mara Rossival Fernandes, a máquina deve chegar até o final do ano. No momento, o hospital dá andamento à obra de construção da casamata que irá receber o equipamento para tratamento radioterápico.
O Hospital do Câncer de Londrina é referência no tratamento contra o câncer para mais de 220 municípios paranaenses. Em todo o ano passado, foram feitos 40.231 atendimentos em radioterapia, uma média de 3.353 ao mês.
"Temos dificuldade para atender a todos os pacientes. Os atendimentos deveriam ser feitos das 8 às 18 horas, mas como a demanda é grande, para não deixar de atender ninguém, oferecemos a radioterapia das 6 às 23 horas", diz a gestora. Hoje, a instituição dispõe de uma bomba de cobalto e um acelerador linear.
O resultado da extensão do período de atendimento são custos maiores para pagamento de funcionários, que fazem horas extras, e para manutenção dos equipamentos, que têm um desgaste maior em razão do uso prolongado. "Isso onera o hospital. A reivindicação é que mudasse a tabela do SUS", destaca Fernandes. Segundo ela, no ano passado uma nova tabela foi elaborada e deveria ter sido assinada pelo então ministro da Saúde Ricardo Barros, mas isso não aconteceu. A gestora calcula que para cada real pago pelo SUS ao hospital pelos serviços prestados, a instituição efetivamente recebe R$ 0,67.
O hospital espera substituir a unidade de cobalto pelo acelerador linear adquirido dentro do plano de expansão do governo federal para oferecer tratamento de ponta a todos os pacientes.
Além do equipamento comprado dentro do plano federal, o Hospital do Câncer deve comprar neste ano um outro acelerador linear com recursos do Pronon (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica) provenientes do Imposto de Renda. "Fizemos o pedido dos recursos em 2016, em 2017 foram captados os recursos e neste ano vamos comprar o equipamento, no valor de R$ 3,8 milhões", explica Fernandes. Com a chegada dessa nova máquina, a bomba de cobalto atualmente em uso poderá ser doada a um Estado que ainda não oferece tratamento radioterápico a sua população.
A Sesa (Secretaria Estadual de Saúde) informou que 13 estabelecimentos de saúde em dez municípios paranaenses oferecem tratamento radioterápico: Campina Grande do Sul, Campo Mourão, Cascavel (Oeste), Curitiba, Foz do Iguaçu (Oeste), Londrina, Maringá (Noroeste), Pato Branco (Sudoeste), Ponta Grossa (Campos Gerais) e Umuarama (Noroeste).
Sobre o plano de expansão do governo federal, a Sesa encaminhou uma lista da situação em cada instituição de saúde. Os aceleradores lineares a serem instalados no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, e no Hospital Regional João de Freitas, em Arapongas, deverão começar a operar em junho de 2019. Na Santa Casa de Campo Mourão e no Hospital do Câncer de Londrina, a previsão de início do uso do acelerador linear é janeiro do ano que vem. Em Guarapuava, as obras de construção da casamata no Hospital São Vicente de Paulo estão planejadas para começar no próximo mês de setembro com o início das atividades em outubro de 2019. A Santa Casa de Ponta Grossa aguarda a definição das datas das obras e do início do uso do aparelho pelo Ministério da Saúde. A única unidade no Estado que já concluiu as obras e está utilizando o equipamento é o Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba.(S.S.)


