Recife, 05 (AE) - O plano de emergência para evitar um colapso no abastecimento de água na região Metropolitana do Recife, anunciado hoje, prevê a perfuração de 54 poços na área e a transferência diária, por trem, de 300 mil litros de água de dois poços da Petrobrás instalados no Porto de Suape, no município do Cabo. Além disso, um "pedágio" não obrigatório e equivalente a 100 mil litros dágua será solicitado aos navios de bandeira brasileira que atracarem no Porto do Recife.
A alternativa de buscar água no Sudeste, com um navio-tanque da Petrobrás, está descartada, por enquanto, devido à dificuldade e demora da operacionalização, de acordo com o superintendente em exercício da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Roldão Torres.
Chuvas - Com essas medidas o governo pernambucano espera manter, mesmo que sob rígido racionamento, o abastecimento até a chegada das chuvas, previstas para abril pelo Serviço de Meteorologia. Os principais mananciais da região, Tapacurá e Botafogo, estão com menos de 8% do seu volume e a população enfrenta um racionamento de 20 horas com água para 100 horas sem. O presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Gustavo Sampaio, não afasta a possibilidade de intensificar o racionamento.
Poços - A perfuração dos 54 poços vai significar um reforço na oferta de água de 0,5 metros cúbicos por segundo, que representa 10% da oferta atual, metade da oferta normal, de 10 metros cúblicos por segundo. Segundo Gustavo Sampaio, mesmo em épocas normais, essa disponibilidade de água está aquém das necessidades de consumo da região metropolitana, de 13 metros cúblicos por segundos.
O trabalho de perfuração dos poços ficará a cargo do Exército - que vai terceirizar parte do trabalho - e custará R$ 5,7 milhões, pagos pela Sudene. O superintendente em exercício da entidade acredita que somente em 20 dias, no mínimo, os poços estarão funcionando. "Apenas a parte burocrática exigirá uns 10 dias", afirma ele.
A operação de transferência da água dos poços da Petrobrás não terá nenhum custo extra, de acordo com Roldão Torres, porque contará com a cooperação de todos os órgãos envolvidos. Essa água, assim como a que será coletada com o "pedágio", vai ser distribuída para hospitais, presídios, escolas e creches.
Médio prazo - O plano de emergência foi elaborado e está sendo acompanhado por um comitê formado pela Sudene, Exército, Porto do Recife, Companhia Ferroviária Nacional (CFN), Petrobrás e secretarias estaduais.
O comitê definiu medidas de médio prazo para aumentar a capacidade de armazenar água para o próximo verão, que serão detalhadas em reunião na próxima quarta-feira. Entre elas a construção de uma adutora do Rio Arataca, em Goiana, 60 quilômetros ao norte do Recife, como reforço à Barragem de Botafogo; a transformação da Barragem de Carpina, usada unicamente para contenção de cheias, numa nova fonte de abastecimento; e a ajuda da CPRM, empresa do governo federal, para a perfuração de grandes poços.
Pedágio - O administrador do Porto do Recife, Carlos Vilar, já está fazendo contato com os armadores, pedindo cooperação . A água obtida com o pedágio ficará armazenada em reservatórios do porto e depois transportada em caminhões-pipa. Ele reconhece que a quantidade de água a ser coletada dessa forma é pequena - 1,5 milhão litros/mês, já que uma média de 15 navios brasileiros passam pelo porto nesse período -, mas observa que numa situação crítica nada pode ser desprezado.

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