Tóquio, 19 (AE-DOW JONES) - O plano de reestruturação anunciado pela Nissan Motor Co. atinge um dos mais tradicionais - embora deficitário - pilares da indústria japonesa: o sistema "keiretsu" de fornecedores. O presidente executivo da empresa, o brasileiro Carlos Ghosn, pretende se desfazer das participações da Nissan nas centenas de companhias filiadas, para liberar o capital e reduzir os custos.
A Nissan possui participação acionária em 1.394 empresas fornecedoras de componentes e outras firmas em sua estrutura "keiretsu" - ou grupo corporativo -, mas agora considera apenas quatro delas como sendo "indispensáveis". A venda das ações atinge diretamente o coração do sistema "keiretsu" que, por décadas, vinculou as grandes companhias aos seus fornecedores através de participação acionária.
Hoje, as autoridades japonesas demonstraram sua inquietação com relação aos planos da Nissan. "Estou muito preocupado com relação as empresas filiadas. Essas empresas têm de estudar formas para sobreviver por conta própria, mas o governo provavelmente irá oferecer a mais ampla ajuda possível", disse o ministro do Comércio, Takashi Fukaya.
Os investidores também estão preocupados. O programa de corte de custos é mais agressivo do que muitos esperavam e as ações da empresa caíram 2,7% na Bolsa de Tóquio na terça-feira.

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