Brasília, 26 (AE) - Duas planilhas do grupo de empresas Macrométrica, que chegaram hoje (26) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, mostram que a distribuição do lucro é feita em benefício de Luiz Fernando Maia, que, por meio de uma conta corrente no Banco Itaú, pagou contas de familiares do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes.
Entre os familiares beneficiados estão sua companheira Araci Benitez dos Santos Pugliese, a Ciça, e seu enteado Bruno. As planilhas estão endereçadas ao "professor Francisco" e uma delas diz: "Esse é o quadro que está valendo (favor desconsiderar o anterior)". Luiz Fernando Maia é sócio de Ciça na Macrométrica.
As planilhas que chegaram ao Senado são relativas aos meses de janeiro e maio de 1998. Nelas estão discriminadas as contas pagas em cada mês. As contas pagas em janeiro de 1998 foram: Amil (seguro saúde) no valor de R$ 650,00; o INSS/Ciça, no valor de R$ 190,00; e uma pessoa chamada "Marlene", no valor de R$ 150,00. As contas pagas em maio de 1998 foram as mesmas, somente o valor dado a "Marlene" subiu para R$ 300,00.
Em janeiro, o total dos depósitos na conta 44.330-8, agência 0407 do Banco Itaú, cujo titular é Luiz Fernando de Souza Maia, foi de R$ 4.582,09. As contas totais pagas nesse mês foram de R$ 990,00 e o "saldo para ser usado" de R$ 3.592,09. Em maio, o total dos depósitos na mesma conta foi de R$ 4.607,50. As contas totais pagas nesse mês foram de R$ 1.140,00 e o "saldo para ser usado" foi de R$ 3.467,50.
No extrato da conta corrente 44330-8, cuja cópia de 16 de janeiro de 1998 chegou ao Senado, há pagamentos para Bruno nos valores de R$ 960,00, R$ 115,00 e R$ 480,00 (o nome de Bruno está escrito à mão ao lado de cada valor). Há quatro saques feitos para Ciça no valor de R$ 100,00, outro no valor de R$ 300 00 e mais um no valor de R$ 500,00.
Os senadores entenderam que o extrato, com a indicação do nome de cada pessoa beneficiada com o saque, seria uma espécie de prestação de contas de Luiz Fernando Maia ao "professor Francisco".
O Senado recebeu também cópia da declaração de renda de Francisco Lopes relativa a 1996, que foi obtida na busca e apreensão na casa do ex-presidente do Banco Central determinada pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro.
Os senadores constataram que na declaração de bens de Francisco Lopes não constam o US$ 1,675 milhão que Sérgio Bragança, outro sócio da Macrométrica, diz ser de propriedade do ex-presidente do BC e estar sob sua custódia em contas no exterior.

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