Planeta deve ser visto como uma empresa
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quarta-feira, 22 de julho de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Estabelecer um processo de educação ambiental em todo o mundo é a única forma para diminuir a velocidade das mudanças climáticas no planeta. Essa é a opinião do ambientalista e oceanógrafo francês Jean-Michel Cousteau, que participou ontem da 1ªConvenção Hemisférica de Proteção Ambiental Portuária da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Foz do Iguaçu. Cousteau é filho do ambientalista Jacques Cousteau e também morou no Brasil onde desenvolveu uma série de pesquisas na região amazônica.
A resposta é começarmos a educação com as crianças pequenas, enquanto nós temos que procurar educar as pessoas que tomam decisões para que decidam melhor. Hoje em dia já existe uma tomada de consciência. Acredito que estamos em um ponto crucial de mudança, graças à comunicação. Nós temos as ferramentas para pôr em prática medidas para corrigir erros passados, comentou.
Durante a entrevista coletiva, Cousteau disse que o mundo inteiro tem que estar preocupado com a questão da água, o problema ambiental. Para ele, a população mundial deveria tratar o planeta como uma empresa. Temos que olhar para o planeta como um negócio. Recebemos um capital livre de ônus. Podemos viver de juros. No momento que quisermos ultrapassar os juros podemos passar a corroer o capital e beirar a falência. É uma escolha, ressaltou.
De acordo com Cousteau, é preciso ensinar as pessoas a viverem de forma sustentável. Não se pode retirar mais da natureza do que ela pode nos oferecer. Fui a uma conferência em Sacramento (EUA) e alguns cientistas explicaram quantas pessoas vão ter que se mudar da região costeira no mundo e quantos bilhões de dólares serão gastos para que a infra-estrutura das regiões costeiras sejam construídas novamente, contou, em razão de uma previsão catastrófica de fenômenos como furacões, temporais e grandes ondas poderem ocorrer devido o desequilíbrio ambiental causado pela sociedade. São fatos. Mas podemos lidar com isso. Leva tempo e dinheiro e precisamos de muitas mentes criativas, mas podemos fazer isso, acrescentou.
A miséria em um país como o Brasil seria um entrave para começar a educação ambiental de forma efetiva. Sobre isso, Cousteau disse que é preciso matar a fome da população para começar o processo. Ele citou a Costa Rica como um bom exemplo no conceito de gestão ambiental. Segundo o ambientalista, depois que parou de gastar dinheiro com exército e a se preocupar com a alimentação da população, houve uma sobra de orçamento para iniciar um novo processo. Hoje, para ele, a Costa Rica é a Suíça das Américas. (Leia mais sobre a Convenção de Proteção Ambiental Portuária em Economia.)


