Rio- Políticas de prevenção da gravidez precoce não têm sido suficientes para evitar o aumento do número de mães adolescentes porque estão muito voltadas para a distribuição de preservativos e pílulas anticoncepcionais, mas ainda não conseguiram transmitir o impacto do nascimento de um bebê filho de pais muito jovens. ''Planejamento familiar não é só distribuir pílula. É passar informações para que uma família se forme de maneira saudável e sem traumas. Não é por falta de informação que as jovens engravidam, elas sabem que existem métodos anticoncepcionais. Acredito que seja mais por falta de atenção e por descuido'', diz o demógrafo Juarez de Castro Oliveira, autor da pesquisa do IBGE que aponta o aumento das mães adolescentes.
O outro fenômeno detectado na pesquisa, o aumento das mães estreantes de mais de 40 anos de idade, tem ''múltiplas causas'', na avaliação do pesquisador. Para algumas, diz ele, ''estar em um estágio de vida mais confortável facilitou a decisão''. Em outros casos, Juarez acredita que pesa o fato de as mulheres maduras saberem que têm pouco tempo de vida fértil e temerem se arrepender no futuro por não terem sido mães.
A secretária Leda Maria Campos da Rocha, de 45 anos, diz que ''não tinha o sonho de ser mãe'' e que ter um filho também não estava nos planos imediatos do marido, Roberto de Castro Souza Pinto, da mesma idade. ''Mas depois a gente começou a ponderar: Será que não vamos deixar nem um fruto para a humanidade? Eu vi que tinha que resolver'', conta. Resultado: há um ano e dez meses nasceu Diogo, primeiro filho do casal. (A.E.)

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