Brasília, 26 (AE) - Fracassou a tentativa dos partidos da base aliada de promover hoje uma expressiva mobilização de parlamentares para apoiar o governo na sessão plenária da Câmara no dia da Marcha dos Cem Mil. Menos de 50 deputados, incluindo os da oposição, participaram de um debate sobre o protesto. "Tinha pouca gente", admitiu o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), que travou um pequeno embate com o líder do PC do B, Aldo Rebelo (SP) e com o deputado petista Milton Temer (RJ).
"Acho que eles (os deputados da base governista) preferiram ficar espiritualmente", brincou Arthur Virgílio, que ocupou a tribuna sendo interrompido por vários apartes de oposicionistas. O líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), minimizou. "Não foi preciso reunir todos os deputados do partido porque a oposição não veio", disse Aécio.
"A oposição não veio porque passou o dia inteiro na manifestação", respondeu o deputado Aloizio Mercadante (SP). O debate ocorrido no plenário foi menos acirrado do que o promovido entre oposição e governo durante esta semana, quando aconteceram os preparativos para a marcha. Os dois lados elogiaram o fato de não haver incidentes durante o protesto. "O presidente Fernando Henrique Cardoso acha que a oposição se comportou muito bem", disse Arthur Virgílio, antes de entrar para o debate, no plenário da Câmara.
Já na tribuna, o líder do governo no Congresso voltou a elogiar a manutenção da ordem. "Houve, na semana passada, discussão acalorada; hoje é hora de um balanço sereno", disse Arthur Virgílio, defendendo a aprovação de reformas, como a da Previdência e as mostras, segundo ele, da recuperação da economia do País. Virgílio, porém, continuou tentando minimizar o impacto do protesto, dizendo que não houve representanção da "maioria da população", mas manteve o tom mais moderado até ser apartado pelo deputado petista Milton Temer. Temer disse que o discurso do líder era uma forma de recuo do governo "diante da manifestação democrática" e acusou o deputado de ter criado um "clima de terrorismo".
"Mais grave foi alguém dizer que queria desestabilizar", respondeu Arthur Virgílio. "Usou tanto ônibus (para a manifestação), gastou tanto dinheiro para o fiasco de 30 mil pessoas", atacou o líder do governo no Congresso, que teve o apoio de deputados, como Moroni Torgan (PSDB-CE).
"A queda de prestígio do presidente Fernando Henrique saiu das estatísticas para transformar-se em carne de pescoço", atacou o líder do PC do B, comemorando o considerado sucesso da manifestação.
O líder do PSDB classificou com um ganho da democracia o resultado da passeata. Mas não deixou de alfinetar a oposição, dizendo que faltaram propostas do movimento. "Vamos falar do futuro", afirmou Aécio Neves, defendendo a discussão de "idéias" para impulsionar o crescimento do País.

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