Planalto espera Orçamento para fretar avião17/Mar, 20:36 Por Tânia Monteiro e Isabel Braga Brasília, 17 (AE) - O Palácio do Planalto aguarda a aprovação do Orçamento da União com o objetivo de lançar o edital de licitação de fretamento de um avião para viagens longas do presidente Fernando Henrique Cardoso ao exterior. Se o Orçamento não tiver sido aprovado a tempo, a solução será uma nova licitação de emergência, como aconteceu com a viagem a Portugal, quando a TAM venceu. A opção pelo fretamento - em lugar da compra ou aluguel de um avião em substituição ao Boeing 707, apelidado de Sucatão - é a tendência predominante no Planalto. A licitação permitiria o fretamento por um ano, renovável por mais um. Isso estenderia o contrato a até alguns meses antes do fim do mandato de Fernando Henrique e acabaria com a possibilidade de compra de um avião. "Mas não há nada definitivo porque, se o presidente entender que é mais vantagem a compra de uma aeronave, a licitação poderá ser suspensa a qualquer momento", afirmou um assessor palaciano. Os termos da nova licitação estão fechados, mas a Casa Civil depende da aprovação do Orçamento para que seja possível a liberação de verbas. Segundo explicou um assessor, o governo só pode fazer empenho para o pagamento das viagens com o Orçamento aprovado. "Com duodécimos, isso não pode ser feito", acrescentou. As próximas viagens transnacionais do presidente estavam marcadas para o início de maio, mas foram adiadas para data ainda não estabelecida. O primeiro-ministro alemão, Gerhard Schr"eder, ligou ontem (16) para Fernando Henrique, comunicando o adiamento da reunião para a discussão sobre o governo progressivo no século 21 e a chamada terceira via. O adiamento foi feito a pedido do primeiro-ministro inglês, Tony Blair, que quer aguardar na Inglaterra o nascimento do filho. S Segundo assessores palacianos, entretanto, a viagem poderá acontecer ainda em maio. Além de ir a Berlim, na Alemanha, o presidente pretende ir à Austria e à França para encontros bilaterais. Para a viagem a Portugal, a TAM disputou com a Viação Aérea Rio-Grandense (Varig) e ganhou por uma diferença de R$ 1 mil: a TAM comprou R$ 249 mil e a Varig, R$ 250 mil. Se o presidente tivesse optado por viagem no Sucatão, segundo cálculos da Presidência, teria gastado R$ 251 mil. Embora a preferência no Planalto seja optar pelo fretamento, está no Ministério da Defesa um relatório final da Aeronáutica apresentando opções para compra de avião (novo ou usado) ou aluguel e leasing (aluguel com opção de compra) de aparelhos. A Aeronáutica irá mostrar ao presidente todas as opções possíveis para que Fernando Henrique possa escolher. O comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista, está pronto para fazer a exposição ao presidente, detalhando os tipos de aviões que servem para as viagens, os custos e as vantagens de cada uma das diferentes opções. Para a Aeronáutica, o ideal seria a compra de um avião para que eles pudessem o operar, como faziam com o Sucatão (Boeing 707). Em viagens fretadas, como a de Portugal pela TAM, os pilotos da Aeronáutica apenas acompanham o vôo como medida de segurança, mas não interferem no comando do avião. Antes do lançamento oficial do edital, duas empresas nacionais aéreas anteciparam o interesse em participar da licitação: TAM e Varig. Para participar de licitações, entretanto, as empresas não podem ter dívidas inscritas no Cadastro de Inadimplentes (Cadim). O diretor-regional da Varig em Brasília, George Ermakoff, afirmou que a maior parte das dívidas da empresas estão em discussão na Justiça e isso precisa ser considerado. Ele lembra que a Rio-Sul pode entrar na concorrência usando aviões da Varig, com a qual é ligada, por meio de um contrato de leasing ou aluguel por tempo determinado. "Vamos participar dessa concorrência", garantiu. Já o presidente da TAM, comandante Rolim Amaro, que ainda comemorava o sucesso do vôo da empresa para Portugal na semana passada, ressaltava que o avião ainda está com a configuração que atendeu ao presidente e ela será mantida. "Nós disputaremos em qualquer circunstância" comentou.

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