Brasília, 25 (AE) - Em nota oficial, o presidente Fernando Henrique Cardoso justificou a sua interferência na privatização da Telebrás, em julho do ano passado, dizendo que se tratava de "um leilão e não de uma licitação" e o "governo estava empenhado em obter o melhor preço na venda do patrimônio público". O presidente admite que houve empenho na participação de mais concorrentes ao leilão, embora o consórcio vencedor não tenha sido aquele que o governo entendia como o mais capacitado.
A nota do Planalto foi divulgada às 16h45 e o articulador político do governo, Pimenta da Veiga, concedeu entrevista coletiva sobre o assunto às 17 horas. Apesar das declarações oficiais só terem sido feitas à tarde, desde cedo o Planalto discutia com aliados como seria a reação do governo às denúncias. O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), foi um dos primeiros a falar com o presidente, por telefone, de manhã. Segundo o senador, o presidente recebia as denúncias "com a tranquilidade de quem sabe que quem está no cargo dele tem de sofrer estas acusações e responder, se achar necessário, com toda fleuma".
Na primeira reunião do dia, que durou cerca de uma hora e meia, e começou pouco antes das 10 horas da manhã, no Palácio da Alvorada, entre Fernando Henrique, o coordenador político e ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), foi decidido que os líderes responderiam pelo presidente, em nome do governo. Por causa da reunião, o presidente se atrasou para a solenidade de comemoração do dia da indústria, na qual não falou diretamente sobre o assunto. Na solenidade, demonstrava abatimento.
O presidente convocou nova reunião, com Pimenta da Veiga, no início da tarde, que durou duas horas. Dela participaram ainda o ministro da Ciência e Tecnologia, Bresser Pereira, e o secretário de Comunicação, Andrea Matarazzo. Ao final deste encontro, o Palácio divulgou a nota na qual enfatiza que "o processo de privatização foi um sucesso, que os resultados são visíveis e as privatizações continuarão com toda a transparência que sempre tiveram neste governo".
Fernando Henrique cancelou a agenda que tinha para a tarde, que previa despachos com os ministros da Saúde, José Serra, e do Orçamento, Pedro Parente, e se concentrou em apagar o incêndio. Até o breafing diário do porta-voz do presidente da República foi cancelado sob o argumento de que Pimenta da Veiga havia falado pelo governo.
O Planalto informava, no entanto, que as novas denúncias não levariam o presidente a cancelar sua viagem ao México, prevista para sexta-feira. Ele também tem viagem marcada para a Argentina nos dias 6 e 7 de junho, ao Paraguai, nos dias 8 e 9, e depois, nos dias 1º e 2 de julho, à Noruega.

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