PL quer lançar chapa moderada e busca acordo com PMDB
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quinta-feira, 20 de abril de 2000
Por Roberta Sampaio 
São Paulo, 21 (AE) - A falta de uma candidatura forte de centro favorece o lançamento de uma chapa moderada para a sucessão paulistana. Essa é a aposta do pré-candidato do PL, o deputado Marcos Cintra, que investe numa aliança para tornar viável sua candidatura. Ele conta com a abertura do peemedebista Orestes Quércia, que tem encaminhado, pessoalmente, conversas em favor do apoio a outros candidatos.
Para Cintra, o objetivo é articular uma aliança entre o PL e o PMDB, "eventualmente", com participação do PDT e de legendas menores, para fazer frente às chapas de Luiza Erundina (PSB) e Marta Suplicy (PT). "Não existe uma candidatura consolidada no centro, já que Geraldo Alckmin (pré-candidato tucano) apresenta difícil expansão", avalia.
Antes de apontar para uma candidatura própria, o PL (que congrega nomes da Igreja Universal do Reino de Deus) buscou aproximação com Erundina. A mudança de rumo seria uma estratégia para fortalecer chapa própria. "O fundamental é não haver fragmentação de candidaturas do outro lado", sustenta Cintra.
O peemedebista Quércia acha difícil encontrar um candidato do PMDB "em condições de competitividade". Por isso, depois de tentar entendimentos com o PFL, tem mantido conversas com o PDT e, mais recentemente, com o PL. "Não temos um caminho definido", diz. Quanto à possibilidade de encabeçar chapa do partido, ele se esquiva: "Não sou candidato, mas transferi meu título para São Paulo."
Já o correligionário João Leiva, presidente do diretório municipal do PMDB, diz que a maior tendência ainda é lançar candidatura própria. Quércia teria pedido até o fim de maio para decidir sobre o assunto. "Ele tem o apoio das bases do partido", afirma. O deputado estadual Faria Júnior é outro nome cotado no partido. "Mas a posição de aliança ainda existe", ressalva Leiva. "Vamos retomar as discussões após a Semana Santa."
Quércia negocia com Cintra, presidente do PL em São Paulo, e com o presidente do PDT paulista, deputado José Roberto Batochio. As conversas com o PL devem prosseguir na próxima semana. "Teremos uma reunião e vou sugerir a presença do Batochio, pois sei que já houve conversas isoladas dos dois lados", anuncia Cintra.
Batochio confirma as negociações não só com o peemedebista Quércia, mas também com representantes do PT de Marta Suplicy e do PSB de Luiza Erundina. "Todas as possibilidades administrativas têm de ser exaustivamente negociadas."
A chapa do PSB é a que tem maior simpatia dos pedetistas. "A Erundina merece todo o nosso respeito e admiração, por seu comportamento ético na Prefeitura de São Paulo", afirma Batochio. No entanto, ele reluta em apontar o caminho mais provável e não descarta uma candidatura própria. "Há setores que querem isso."
Além disso, as negociações com o PT não foram interrompidas depois da quebra da aliança no governo do Rio de Janeiro. "O problema no Rio é localizado e específico, o que não elimina a possibilidade de acordo aqui", diz Batochio.
O deputado Ricardo Berzoini, presidente do diretório municipal do PT, acredita que há um clima bom entre os dois partidos em São Paulo. Segundo ele, as negociações não têm sido condicionadas à oferta do cargo de vice na chapa petista. "Nunca houve convite, nem essa reivindicação por parte do Batochio."
O coordenador da campanha de Marta Suplicy, o ex-deputado estadual Rui Falcão, revela que a contrapartida dos petistas nessa coligação é o apoio a candidatos do PDT no interior do Estado. "Em Taubaté, o acordo entre os dois partidos está bastante adiantado", revela.
Falcão informa que uma das reivindicações já antecipadas pelo PDT é o modelo de escolas integrais do Rio de Janeiro. Essa questão deverá fazer parte de debate sobre política educacional, em 8 de maio, no Instituto Florestan Fernandes, do qual participam a pré-candidata Marta Suplicy e o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola. "Será uma troca de experiências", diz Falcão.


