PKK apóia proposta de paz de Ocalan
Ilha de Imrali, Turquia, 02 (AE-AP) - Os guerrilheiros curdos declararam hoje (02) que apóiam a proposta de paz feita por Abdullah Ocalan, mas advertiram a Turquia de que eles continuarão lutando se as declarações conciliatórias de seu líder ficarem sem resposta.
Enquanto isso, o tribunal que está julgando Ocalan por traição pediu para ambos os lados apresentarem seus respectivos casos, um sinal de que um veredicto poderia ser dado no mais tardar na próxima semana. O chefe rebelde curdo poderá ser condenado à morte.
No sudeste do país, uma zona habitada majoritariamente por curdos, um militante morreu hoje em um atentado suicida, ao detonar explosivos atados a seu corpo, provavelmente em protesto contra o julgamento do líder separatista Abdullah Ocalan.
Ataques esporádicos de rebeldes vêm ocorrendo desde o início do julgamento, na segunda-feira.
Hoje, no terceiro dia de julgamento, a viúva de um soldado assassinado descreveu sua dor ao ver o marido dela sendo conduzido por rebeldes e depois levar um tiro na cabeça.
Espectadores e advogados foram tomados por lágrimas quando Yildiz Namdar, muito emocionada, olhou para Ocalan e gritou: "Você se desculpa, mas você devolverá meu marido?". Em resposta, o líder curdo afirmou: "Eu compartilho seu pesar".
Ocalan continuou com sua defesa, declarando que desde 1993 o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), do qual ele é líder, vem procurando uma solução pacífica para o conflito.
No início desta semana, Ocalan afirmou, de dentro de uma sala especial de vidro à prova de balas e bombas instalada dentro do tribunal na prisão insular de Imrali, que ele e seu grupo estavam prontos para trabalhar pele paz.
Hoje, a liderança do PKK disse apoiar totalmente a oferta de Ocalan. "Tal iniciativa continua sem resposta", advertiu, entretanto, em uma declaração. "Nós lutamos durante 15 anos... Se necessário nós podemos fazer a mesma coisa novamente". A declaração foi transmitida pela agência de notícias curda DEM, que é baseada na Alemanha.
A Turquia considera qualquer sugestão de nacionalismo curdo como uma ameaça para o Estado e rejeitou negociar com os rebeldes.
Ocalan lançou a guerra de guerrilha em 1984. Desde então, o conflito já matou 37.000 pessoas, a maioria curdos.





