PKK aceita cessar-fogo unilateral na Turquia
Ancara, 05 (AE-AP) - Em decisão que pode pôr fim a 15 anos de sangrenta luta armada contra o regime turco, o conselho de comando do grupo guerrilheiro curdo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) aceitou hoje (05) cessar-fogo unilateral e retirar suas forças da Turquia a partir de 1º de setembro. O PKK atende, dessa forma, a apelo feito no dia 2 pelo líder curdo Abdulah Ocalan, condenado à morte por um tribunal turco em 29 de junho por terrorismo, separatismo e traição.
A decisão foi recebida com indiferença pelo governo turco. O presidente Suleyman Demirel disse que a Turquia não vai "relaxar" a luta contra o que classificou de terrorismo separatista. "Ordens como continuem a luta ou desistam dela não acrescentam nem tiram nada na determinação do Estado de aniquilar a guerrilha", disse o presidente turco. "A Turquia sustentou uma longa batalha contra o terrorismo e sua posição é clara: o Estado não precisa de nada para concluir sua missão."
Por sua vez, o primeiro-ministro Bulent Ecevit classificou de "positiva" a iniciativa de Ocalan, mas ressalvando que o Estado turco jamais negociará com os separatistas do PKK ou seu líder "preso e condenado à morte".
O subsecretário de Estado dos EUA para Direitos Humanos, Democracia e Trabalho, Harold Koh, disse que a Turquia encontra-se diante de uma "rara oportunidade" de solução política e negociada do conflito curdo. "A questão (curda) não pode ser resolvida unicamente por meios militares", ressaltou em entrevista o funcionário americano, que se encontra na capital turca. "É absolutamente necessário um processo de diálogo político."
Koch aplaudiu a decisão do comando do PKK. Preconizou uma nova fase para questão. "A situação tal como se apresenta agora é complexa e compreende o desenvolvimento político, econômico e dos direitos humanos no sudeste turco (território habitado pelos curdos)." Destacou também que os direitos dos cidadãos turcos de origem curda - estimados em 13 milhões de pessoas - constituem um importante problema. E pediu ao governo turco a remoção dos obstáculos que impedem a plena aplicação dos direitos humanos na Turquia.





