Pizza marca protestos em frente a Câmara de SP
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Uilson Paiva 
São Paulo, 27 (AE) - Faltavam quatro horas para a votação do projeto que sepultou a CPI dos Fiscais e pizzas de todas as formas e tamanhos podiam ser vistas na frente da Câmara Municipal. Auto-intitulados "entregadores da Pizzaria Brasil", os atores Cacá Rosset e Wagner Sugamele exibiam a variedade de sabores de seu cardápio indignado.
Uma delas era a pizza Brasil Vita (de abacaxi, rodeada com marmelada e notas de real), concebida em homenagem ao vereador do PPB, um dos responsáveis pelo fim das investigações. Havia também a pizza Wadih Mutran, outro do PPB, de pepino com abobrinha. "Porque abobrinha é uma especialidade dele", explicava Rosset. Os atores ainda carregavam a pizza Mellão (uma crítica ao presidente da Câmara, Armando Mellão, atualmente sem partido). "É feita de melão e é totalmente rodeada por laranjas."
Caixas de pizzas com o nome de cada um dos 30 vereadores contrários às investigações também foram exibidas por aposentados do Sindicato dos Bancários. Ao lado deles, estudantes carregavam cruzes pretas com o nome dos mesmos parlamentares. Havia também um caixão, simbolizando o enterro da CPI dos Fiscais.
Os cerca de 200 manifestantes favoráveis à CPI e contrários ao prefeito Celso Pitta (sem partido) foram convocados pelo PT e por diversos sindicatos. Eles tiveram de dividir espaço, no entanto, com pelo menos 80 pessoas e uma bateria de escola de samba, que defendiam o fim da CPI e o governo Pitta.
A batalha de carros de som, discursos e gestos teve momentos de tensão, mas não houve conflito. Enquanto os partidários do prefeito gritavam palavras de ordem - "Um, dois, três, é Pitta outra vez" -, os petistas respondiam: "Um, dois, três, é Pitta no xadrez."
Em outro momento, o locutor do carro de som favorável a Pitta afirmou que os petistas eram "burgueses" e "moravam nos Jardins". A resposta veio em coro e gestos. "Ê, ê, ê, nós viemos sem cachê", gritaram os petistas, abanando notas de real.
A aposentada Cleide Soares, de 47 anos, leu nos jornais a lista de vereadores que votaram contra a CPI na quarta-feira e decidiu telefonar para o gabinete do vereador Mutran. "Eu queria perguntar por que ele não quer investigar, mas não deixaram eu falar com o vereador", reclamou.
Um dos líderes do protesto a favor de Pitta era o mestre de bateria Divino Batista da Silva, que foi uma das testemunhas de defesa do vereador Vicente Viscome (expulso do PPB) na comissão que analisa a cassação de seu mandato. "Não estamos ganhando nada, é tudo de coração", explicava.
O barulho na frente da Câmara continuou mesmo depois da votação que sepultou a CPI, apesar de dezenas de pessoas terem abandonado o local. A estudante Lua Monteiro de Carvalho, de 16 anos, era uma das poucas manifestantes que ainda seguravam as cruzes pretas com o nome dos vereadores. A dela referia-se a Ivo Morganti (PFL), que passou boa parte da sessão de hoje contando piadas. Lua usava um nariz vermelho postiço. "Mas o palhaço é ele", disse a estudante.


