São Paulo, 22 (AE) - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, afirmou que, embora pareça razoável destinar recursos da privatização para abater a dívida pública, o governo deveria aplicar parte do dinheiro arrecadado nos leilões na área social e em projetos que estimulem a produção e as exportações do País. "Considerando que a economia volta a se aquecer no Brasil e no mundo, o governo pode aplicar os recursos onde o retorno do investimento é melhor", afirmou.
Segundo Piva, não é razoável que o País se obrigue a vincular 100% dos recursos originários das privatizações das estatais ao pagamento da dívida pública, quando o governo pode aproveitar o momento econômico para investir em áreas que elevem o potencial do Brasil ao de grandes países. "Não podemos seguir linha dogmática. O Brasil deve pagar suas dívidas, mas não pode deixar de investir", avaliou. "Quando da desvalorização do real, no início de 1999, todos pensaram que o mundo ia acabar. No entanto, o Brasil provou sua capacidade de recuperação", disse Piva.
Para o presidente da Fiesp, não se pode dizer que existe algum confronto entre o ministro Alcides Tápias, do Desenvolvimento, e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, defensor do resgate da dívida pública com recursos dos leilões. "O papel do ministro Tápias é de defensor do desenvolvimento com justiça social. Acredito, então, que Alcides Tápias e Pedro Malan chegarão a um acordo sobre quanto deverá ser investido no País e quanto será reservado para pagar dívida", disse.
Horácio Piva reconhece que a realização das privatizações era inevitável, porque o governo não tinha mais condições de manter as empresas e nem de investir mais naqueles setores. Ele concordou com a opinião do coordenador do Grupo de Política Industrial da federação, Roberto Jeha, de que, financeiramente, as privatizações foram mal formuladas. Mas reitera: "Não adianta, agora, chorar pelo que já aconteceu. Temos que fazer com que, daqui para frente, as privatizações sejam mais bem negociadas", afirmou. (Denise Carvalho)

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