Piva defende criação de grupo para analisar aliciamento fiscal
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 2 (AE) - O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, elogiou hoje a proposta do governador Mário Covas de criar um grupo para analisar e negociar os caso de aliciamento fiscal às empresas. "É uma proposta extraordinária, há muito tempo a Fiesp se preocupa com essa guerra burra. Precisamos mapear o tipo de sedução hostil", disse Piva. Ele afirmou que a Fiesp vai trabalhar na criação desse grupo. Piva participou da abertura do I Fórum de Debates sobre a recuperação de empresas, realizado na Fiesp.
Piva classificou de "duvidosa" a ampliação do prazo de habilitação na lei do regime automotivo, medida que beneficiou diretamente a instalação da Ford na Bahia. "A Fiesp é a favor do desenvolvimento regional, mas não se pode mudar completamente a legislação para atrair uma empresa como a Ford", disse Piva.
Sobre a fusão das cervejarias Brahma e Antarctica, Piva disse que a Fiesp apóia qualquer medida que leve à maior produtividade e competitividade mas considera que ainda é prematuro avaliar o futuro da operação. "Certamente o que as duas empresas estão procurando é o ganho de escala e redução de custos, isso é natural", disse. Piva elogiou a "engenharia financeira" que permitiu a fusão. Mas ressaltou que a oficialização do negócio depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
"De qualquer forma devemos acompanhar com interesse o caso, se será uma reestruturação ou a formação de um monopólio privado", disse Piva. Ele não acredita na hipótese do monopólio
argumenta que mesmo reunindo 70% do mercado, o País vive em regime de economia aberta e as duas empresas continuaram competindo com a indústria estrangeira de cerveja. Na avaliação de Piva pode ocorrer desemprego num primeiro momento. "Mas, quanto maior a produtividade da indústria nacional e sua capacidade de competir e exportar maior será a geração de empregos", disse Piva. Ele afirmou, no entanto, que uma análise imediata da fusão não será correta e disse que serão necessários pelo menos dois anos para uma avaliação correta.


