São Paulo, 6 (AE) - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, criticou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, durante reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada na semana passada, em Seattle, condenando o trabalho infantil na indústria calçadista brasileira.
Segundo Piva, essa é uma manifestação de absoluta desinformação do governo americano, uma vez que o Estado de São Paulo já eliminou o trabalho infantil há muito tempo. "Melhor seria se os Estados Unidos tivessem ajudado nas negociações da rodada, que foi um fracasso, justamente pela falta de empenho do governo americano", disse Piva.
O presidente da Fiesp disse que, infelizmente, as palavras de Clinton podem custar bilhões de dólares para a indústria calçadista.
Piva afirmou que a rodada de Seattle era extremamente importante para as exportações brasileiras. Segundo ele, a expectativa era que o País ampliasse em US$ 20 bilhões as suas exportações, a partir da reunião da OMC. Apesar disso, Piva acredita que o desfecho do encontro não deve comprometer a meta de exportações traçadas pelo governo, desde que empresários e governo trabalhem mais para superar as burocracias que emperram as exportações brasileiras.
FMI - O presidente da Fiesp considera positiva a oportunidade de revisões do acordo com o FMI, mas teme que o monitoramento focado nas metas inflacionárias possa ameaçar o processo de redução dos juros, que vem acontecendo ao longo do ano. Segundo Piva, o lado positivo da quarta revisão do acordo com o FMI, discutido na semana passada, é o fato de o Brasil estar sendo levado a se preocupar mais com os seus resultados e índices.
Entretanto, acrescentou ele, há o lado negativo na revisão, que é a clara interferência do FMI nas contas nacionais. Segundo ele, essa interferência pode criar "constrangimentos" pelo fato de o FMI desconhecer a realidade social do Brasil. Isto, segundo Piva, pode representar um risco social muito grande para o País. "Aprovo as revisões, desde que sejam feitas pelo lado da flexibilização, e não do endurecimento. O País não tem mais espaço para ver o endurecimento das imposições do FMI".

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