São Paulo, 23 (AE) - O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, disse hoje que, pela primeira vez, o Mercosul corre o risco de negociar os futuros acordos multilaterais de comércio de forma desunida, em função das fortes divergências comerciais surgidas entre o Brasil e a Argentina. Piva transferiu a responsabilidade das disputas comerciais para a Argentina. De acordo com ele, cabe ao governo argentino dar a resposta sobre que esse país quer no Mercosul. O presidente da Fiesp acrescentou que a imposição de salvaguardas e de barreiras restritivas ao comércio coloca em dúvida os objetivos argentinos no bloco, depois de grandes investimentos feitos pelos quatro países nos últimos oito anos.
Ele acredita que as medidas determinadas pelo governo argentino para brecar as exportações brasileiras a esse mercado se devem mais a problemas estruturais (competitividade) do que a consequências provocadas pela desvalorização do real, em janeiro deste ano. O dirigente da Fiesp apoiou incondicionalmente as retaliações brasileiras contra os produtos argentinos. "O Brasil sempre teve atitudes pacatas, mas agora tomou as decisões certas", disse Piva.
Para ele, já era hora de o Brasil parar de ceder da forma que vinha fazendo nos últimos anos. Piva defendeu, entretanto, a necessidade urgente de resolver esses conflitos, já que é muito importante para o Brasil e para o Mercosul caminhar de forma unida rumo as negociações da Alca, da Rodada do Milênio, e da área de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia.
Piva acredita ainda na necessidade de uma coordenação macroeconômica entre os quatro países do Mercosul. "É uma condição inexorável, mas não precisamos implementá-la agora, já que isso, na prática, seria impossível no momento", afirmou o empresário. Ele disse ainda que a ausência dessa coordenação macroeconômica criará constantemente os constrangimentos pelos quais o mercosul passa atualmente. Ele finalizou afirmando que os empresários vão fazer todos os esforços para manter a integridade do Mercosul.

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