'Pituxa', 1ª vítima do maníaco do parque, está viva
São Paulo, 18 (AE) - A jovem Pituxa está viva. A primeira vítima de Francisco de Assis Pereira, o maníaco do parque, que ele mesmo declarou ter matado, quase foi enforcada, mas escapou. Pituxa é o apelido dado à empregada doméstica M.F.A. pelo próprio maníaco, acusado do assassinato de nove mulheres nas matas do Parque do Estado, na zona sul de São Paulo, e de atentado violento ao pudor contra outras 11. Agora, pelo ataque a M., ele foi indiciado em mais um inquérito. Desta vez por tentativa de homicídio.
Os policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com base nas informações prestadas por um rapaz, localizaram a doméstica num apartamento no bairro do Paraíso, na zona sul da Capital, onde trabalha.
Ela contou que no dia 18 de fevereiro de 1996 estava patinando no Parque do Ibirapuera, na zona sul, e Pereira ficou impressionado com sua habilidade. Os dois começaram a conversar e ele a convidou para patinar no Golden Shopping, em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, onde seria realizado um concurso cujo prêmio era um par de patins.
M. revelou que eles foram para o ABC na moto de Pereira. Na Rodovia dos Imigrantes, ele entrou na mata, amarrou uma corda no pescoço de M. e a obrigou a despir-se. O maníaco praticou atos libidinosos, espancou a doméstica e apertou cada vez mais a corda no pescoço dela. M. desmaiou e, quando acordou, Pereira não estava mais lá.
Ele tinha levado a bolsa dela, que continha um biquíni verde, R$ 15 em dinheiro e os documentos. Ferida no corpo e no pescoço, ela saiu da mata e pediu ajuda a funcionários da Dersa. M. foi levada para o Pronto-Socorro de Diadema, por policiais militares. Após ter sido medicada, registrou um boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, como vítima de estupro.
A moça, virgem, achou que havia sido estuprada pelo maníaco. O exame de corpo de delito, no Instituto Médico-legal (IML), porém
comprovou que não houve estupro. M. contou à polícia que ficou muito abalada quando soube da prisão de Pereira, mas preferiu esquecer tudo. Ficou surpresa quando foi localizada pela polícia e fez o reconhecimento oficial do maníaco.
A descrição física de M. é igual à da maioria das mulheres que Pereira matou ou violentou: jovem, morena, cabelos lisos e longos.
O DHPP soube da existência de Pituxa pelo próprio Pereira. No dia em que levou os policiais até a mata para apontar o local em que enterrara o corpo de Isadora Fraenkel, o maníaco contou que havia matado também Pituxa naquele local.
A empregada doméstica acompanhou os investigadores até a mata e apontou o lugar em que ficou desmaiada: bem próximo da clareira em que foi achada a ossada de Isadora. M. afirmou que jamais teve o apelido de Pituxa. "Só pode ser da cabeça dele." Ela foi encontrada em novembro pela polícia, que somente hoje decidiu dar as informações a respeito do caso.
Pereira continua na Casa de Custódia e Tratamento, em Taubaté. Ele deverá ser julgado em setembro no Tribunal do Júri de Vila Mariana.





