Pitta volta a bater-boca com Covas por causa de segurança
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Luciana Garbin 
São Paulo, 14 (AE) - A trégua entre o prefeito Celso Pitta (PTN) e o governador Mário Covas (PSDB) durou pouco. Hoje o prefeito não se conformou com a afirmação de Covas e do vice-governador, Geraldo Alckmin, de que a Prefeitura de São Paulo precisa investir mais em política social para inibir a violência na periferia e decidiu partir para o ataque. Armado com um cartaz onde ele mesmo escreveu "chega de bate boca (sic) chega de insegurança governador Covas vamos salvar São Paulo", Pitta disparou acusações contra o PSDB e os governos estadual e federal.
Disse que aquele era um "apelo público para que o governador deixasse o bate-boca de lado e cuidasse dos interesses da cidade e da questão da segurança". Também afirmou que não via outra explicação para os ataques de Covas, a não ser motivos eleitorais. "Vejo duas alternativas para o governo do Estado: permanecer nessa retórica agressiva, tentando fazer uso da questão para um fundo eleitoral e político, ou arregaçar as mangas e trabalhar; a esta última, proponho juntar forças."
Pitta ainda acusou Covas de não saber o que está acontecendo na cidade e desconhecer os projetos que a Prefeitura desenvolve na periferia. "Eu vou trabalhar e espero que ele também trabalhe e não trate de pôr em cima dos outros responsabilidades que são suas."
A Assessoria de Imprensa do Palácio dos Bandeirantes informou que o governador não tinha interesse em comentar as acusações do prefeito.
Tucanos - Outro alvo das investidas de Pitta hoje foi o governo federal. "Até agora não saiu o financiamento do BNDES, firmado num contrato assinado com a União em dezembro, para a construção de corredores de ônibus, terminais de passageiros e linhas do Fura-Fila", reclamou. "Esse dinheiro vem sendo pedido há quatro anos e a primeira parte dos R$ 750 milhões, cerca de R$ 260 milhões, deveria ser desembolsada imediatamente."
Para o prefeito, a razão para o atraso do empréstimo é, mais uma vez, eleitoral. "O PSDB está interessado em travar a Prefeitura de São Paulo, de forma a privilegiar seu candidato", acredita. "É uma ação política contrária aos interesses da cidade, mas favorável aos interesses do partido, que é quem manda no governo federal." O virtual candidato do partido é o vice-governador Alckmin.
Para o presidente do diretório estadual do PSDB, Edson Aparecido, o partido jamais interferiu nos planos da cidade para criar dificuldades, embora questione aspectos técnicos de projetos da gestão Pitta, como o Fura-Fila. "Ainda nem estamos em processo eleitoral e todos sabem que política e administrativamente esse governo já acabou, só falta cumprir os quatro anos de mandato", rebateu. "Quem não respeita mais a incompetência do prefeito é a sociedade paulistana."
História - A polêmica entre o prefeito e o governador começou no dia de aniversário da cidade, 25 de janeiro. No meio da festa, os dois começaram a trocar acusações. Enquanto Pitta reclamava da falta de apoio da Polícia Militar na fiscalização dos perueiros clandestinos, Covas transferia o problema e a responsabilidade para a Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Desde então, as farpas lançadas de um lado e de outro passaram a ser quase diárias. O prefeito atacava a política de segurança de Covas e pediu a demissão do secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi. Também anunciou a criação de uma tropa de choque da GCM e chegou a sugerir a presença do Exército nas ruas. Covas revidava.
No dia 9, os dois governantes encontraram-se no Palácio dos Bandeirantes para discutir como resolver o problema dos perueiros clandestinos. Ficou decidido que 50 homens do Comando do Policiamento de Trânsito da PM passariam a responder diretamente à Secretaria Municipal dos Transportes e seria criada uma linha direta entre Estado e Prefeitura para auxiliar na fiscalização. Esperava-se um armistício. Ontem, o governador e o vice comentaram que competia à Prefeitura investir mais em política social para inibir a violência na periferia. Foi o que bastou para Pitta retrucar.
Eleições - Apesar de ser atribuição do Estado, a segurança pública virou tema municipal. Quatro pré-canditados às eleições deste ano para a Prefeitura até já trabalham em planos para o combate à violência: Luíza Erundina (PSB), Marta Suplicy (PT), Alckmin (PSDB) e Fernando Collor de Melo (PRTB). "Com certeza, a segurança pública entrará no debate, pois é um dos principais problemas apontados pela população", afirmou Erundina.
Hoje Pitta tomou cuidado para não confirmar se é ou não candidato. "Essa decisão será tomada em abril ou maio", disse o prefeito.


