São Paulo, 17 (AE) - O prefeito Celso Pitta (sem partido) entrou pessoalmente nas negociações para tentar barrar na Câmara o pedido de impeachment. Até quinta-feira os vereadores vão decidir pela instalação de uma Comissão Processante ou pelo arquivamento do processo. No fim de semana, o prefeito conversou com alguns parlamentares por telefone e o secretário do Governo, Carlos Augusto Meinberg, encontrou-se com outros.
Hoje Pitta garantiu ter votos suficientes na Casa para que a questão seja encerrada esta semana. Para isso é necessário que o Executivo tenha o apoio de pelo menos 21 vereadores - Armando Mellão (sem partido) declarou que não votará e Vicente Viscome (expulso do PPB), preso, também não deve comparecer à sessão que começará a definir o futuro político do prefeito. Para que a Câmara instale uma Comissão Processante são necessários 33 votos.
Apesar disso, Pitta afirmou que o modelo do toma-lá-dá-cá está esgotado na cidade e de forma alguma será utilizado para convencer parlamentares indecisos. Ele preferiu valer-se do contra-argumento, criticando os que defendem seu afastamento. "Eles estão tentando vender o paraíso na hipótese de eu ser afastado e as investigações cessarem, o que é uma doce ilusão."
O prefeito chegou a comparar sua situação à do ex-presidente Fernando Collor, tomando o exemplo a seu favor. "Outro argumento, de que haveria melhora para a reeleição dos vereadores na próxima eleição também não procede", disse. "A experiência anterior, de parlamentares que trabalharam para o impeachment de Collor, mostra que a maioria deles, senão a totalidade, não foi reeleita."
Vice - Pela primeira vez desde a semana passada, quando tornou público seu descontentamento com o vice-prefeito Régis de Oliveira (sem partido), Pitta admitiu que a Corregedoria do Serviço Público Municipal pode ser conduzida por outra pessoa. Ele afirmou que o órgão, criado por decreto, deve receber maior estrutura assim que a Câmara aprovar o projeto enviado por ele em dezembro. Os trabalhos, de acordo com Pitta, devem seguir "com ou sem" Régis como corregedor.
Pitta espera que na próxima semana, com a instalação ou não de uma Comissão Processante, a Câmara comece a votar os projetos enviados por ele nos últimos meses.
Hoje pela manhã o prefeito visitou a Administração Regional de Pinheiros para ouvir reclamações e sugestões de lideranças comunitárias. Como foi a primeira a ter um fiscal preso - Marco Antônio Zeppini - a regional é uma das últimas colocadas no ranking da Prefeitura em relação a problemas resolvidos. Das 5.662 solicitações feitas pela população, pouco mais de 2,2 mil, ou 40%, foram concluídas.
Pitta pediu explicações ao administrador regional, Maurício Monteiro, para o baixo índice. Monteiro alegou falta de pessoal e o secretário das Administrações Regionais, Domingos Dissei, determinou que cinco equipes de tapa-buraco sejam deslocadas para a regional. As lideranças comunitárias queixaram-se principalmente do barulho causado por bares da região e das mesas que são colocadas nas calçadas do bairro.

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