São Paulo, 14 (AE) - O prefeito Celso Pitta (sem partido) disse hoje estar tranquilo com relação a seu futuro político. Apesar da pesquisa publicada hoje pelo jornal "O Estado de S.Paulo", que revelou que 78% da população apóia sua cassação, e da declaração de voto a seu favor de apenas 5 dos 55 vereadores, ele voltou a afirmar não ter o que temer. "Contamos com o apoio da Câmara e da opinião pública". Ele preferiu analisar os números da Câmara de maneira positiva. Em vez de avaliar quantos parlamentares o apóiam, preferiu comentar sobre a quantidade de vereadores o querem ver fora do Palácio das Indústrias. "Apenas 21 vão votar contra mim".
Para que seja instalada uma comissão processante é preciso o voto de pelo menos 33 parlamentares. A diferença, 12 votos, é igual ao número de parlamentares que se disseram indecisos ntem - outros 14 vereadores não foram localizados e 1 não votará. "A insuficiência de números para a aprovação do impeachment é a visão realista que deve ser enfatizada", disse. Mesmo ao comentar a indefinição de voto do líder do PPB na Casa, vereador Paulo Frange, Pitta tentou manter a confiança. "É claro que os vereadores estão avaliando os prós e os contras de sua decisão, mas acredito que vá prevalecer aquela que é de interesse público, ou seja, a continuidade da moralidade e da erradicação da corrupção que é a minha posição".
O prefeito voltou a acusar seu antecessor, Paulo Maluf, e o vice-prefeito, Régis de Oliveira (sem partido), de articularem sua derrota na Câmara. Régis é também corregedor do Serviço Público Municipal. "O que se pode depreender das declarações do vice-prefeito é que ele vê com grande interesse a minha saída". Apesar de declarações assim, Pitta não afirmou que o demitirá do cargo de corregedor. "Eu vejo a posição dele muito fragilizada", disse Pitta. Pesquisa - Hoje Pitta visitou a Administração Regional da Penha e afirmou que os números da pesquisa InformEstado não correspondem a manifestação das pessoas nas ruas. "Pudemos ver o contrário do que a pesquisa mostrou". Ele percorreu diversas ruas da região, visitou uma creche e uma rua recém-asfaltada. Pelo caminho, encontrou dois caminhões da Prefeitura e funcionários fazendo limpeza. Junto à uma dessas equipes de limpeza um homem gritou para Pitta e as pessoas que o seguiam ouvir: "Só hoje não adianta não".
Na Rua Mambo, uma das paradas de Pitta, a moradora Aldenara Moreno de Melo, de 33 anos, estava saisfeita com o asfalto colocado ali há duas semanas. A medida era uma reivindicação de oito anos. "Todo dia reclamávamos". Mesmo ao chegar à AR-Penha, Pitta deparou-se com pessoas protestando. Um grupo de moradores da Favela do Burgo Paulista mostraram a ele cartazes pedindo que a região receba mais prédios do Cingapura. "Alguns foram para o Cingapura e agora a empreiteira que está construindo uma avenida está oferecendo R$ 700 para os outros saírem de lá", disse Wilton Martins dos Santos, de 25 anos, um dos manifestantes.
Apoio, Pitta recebeu de líderes comunitários que se reuniram com ele para expôr os problemas da região. Diante da administração, o vice-presidente da Sociedade Amigos do Jardim Popular, Marcos Antônio de Freitas, de 43 anos, estendeu uma faixa. "Ajude o prefeito a ajudar você".

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