São Paulo, 11 (AE) - O prefeito Celso Pitta (PTN) rebateu hoje as declarações do secretário da Administração, Renato Tuma, de que o Departamento de Materiais (Demat) é um feudo intocável onde as decisões são tomadas por Marcelo Daura à margem de seu conhecimento. Pitta, referindo-se a Tuma como ex-secretário, acusou-o de omissão por não ter tomado medidas e por ter revelado os problemas apenas no momento de sua saída. Depois de passar pela Igreja Assembléia de Deus, onde pastores pediram a Deus que ilumine seus atos, Pitta concedeu a seguinte entrevista ao repórter Jobson Lemos: Pergunta - Como o senhor avalia as declarações do secretário Renato Tuma? Celso Pitta - Deselegantes. O mínimo que se pode dizer é que o secretário foi infeliz naquelas declarações. Se há alguma responsabilidade imputável ao diretor do Departamento de Materiais, essa responsabilidade também é dele. Ele é o secretário e chefe imediato. A desculpa de que o diretor seria uma pessoa intocável não coaduna com a folha de serviços que o ex-secretário Tuma tem na administração municipal. Se ele tinha conhecimento de alguma coisa irregular ou equivocada da sua responsabilidade, seu dever era apontar e efetivamente corrigir. E não sair da maneira como saiu. Pergunta - O senhor vai aceitar seu pedido de demissão? Pitta - Não resta a menor dúvida. Mesmo porque, como já havia sido anunciado, o PTN tem um espaço na administração que será representado pela Secretaria Municipal da Administração. Pergunta - Quem vai ocupar o cargo de Tuma? Pitta - Marco Aurélio de Abreu, filho do presidente do PTN, Dorival de Abreu. Pergunta - O senhor pretende exonerar o diretor do Departamento de Materiais, Marcelo Daura? Pitta - Essa é uma decisão do novo secretário. Pergunta - Como o senhor avalia as revelações feitas pelo jornal "O Estado de S.Paulo" na semana passada? Pitta - Mandamos averiguar todas as denúncias e, até o momento, nenhuma delas foi comprovada pelas investigações que a Corregedoria do Serviço Público Municipal iniciou. É claro que, na conclusão, se houver a indicação de responsabilidade ou de ocorrência de fatos irregulares, as punições serão tomadas. Eu lembro que houve um equívoco grave da matéria ao anunciar a realização de obras que nem sequer saíram do papel e gastos que nem sequer foram executados. Esse é um equívoco que eu acredito o jornal deva reparar. Independente disso, a atenção da corregedoria e a nossa é a de apurar toda e qualquer denúncia. Pergunta - O Tribunal de Contas do Município (TCM) prometeu uma devassa nos contratos feitos a partir das atas de registro de preço. O senhor apóia essa iniciativa? Pitta - Ele faz isso de uma maneira regular. Não é preciso que haja uma denúncia para que o TCM exerça suas funções. É um trabalho de rotina do tribunal. Pergunta - Preocupa ao senhor a abertura de inquéritos para investigar esse assunto? Pitta - Eu acho que, mais do que nunca, é oportuno, inclusive, para indicar a existência desses equívocos da reportagem aos quais me referi.

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