Pitta reage a críticas e vice-prefeito tenta contornar situação
São Paulo, 10 (AE) - O vice-prefeito de São Paulo e corregedor do Serviço Público Municipal, desembargador Régis Fernandes de Oliveira (sem partido), tentou hoje contornar o problema político causado no Palácio das Indústrias por declarar, após ser questionado sobre os esquemas de corrupção nas administrações regionais e em outros órgãos da Prefeitura, que "com certeza absoluta todos os órgãos institucionais tinham ciência do que se passava". Na ocasião disse ainda: "Suponho até que o prefeito devia saber e muita gente deve ter conversado com ele".
As declarações provocaram reação imediata na Prefeitura. Depois de ser informado sobre a entrevista, o prefeito Celso Pitta (PPB) ligou para Oliveira e disse que as afirmações haviam causado uma situação constrangedora. "Ele telefonou e pergutou-me do que se tratava", afirmou o vice. "Se eu estivesse na posição dele teria a mesma reação".
Em nota à imprensa, Oliveira informou que, em nenhum momento, afirmou ou insinuou que o prefeito teria sido omisso em relação às denúncias de corrupção. "Fiz um comentário genérico, supondo que algumas pessoas tivessem comentado com ele que a situação não era boa, mas ninguém, nem a polícia, pode tomar uma atitude a partir de um comentário amplo".
No documento, Oliveira informa, ainda, que "a declaração de que o prefeito, assim como os órgãos jurisdicionais da Prefeitura, tinham conhecimento de denúncias sobre irregularidades na administração, não autoriza a interpretação da imprensa de que se tenham omitido na apuração dos fatos". Conforme assessores políticos, se não houvesse uma explicação pública, a relação de Oliveira e Pitta poderia sofrer novo abalo. Atribulada - O relacionamento dos dois não é harmônico desde a campanha. Oliveira nunca escondeu que queria ocupar um espaço de destaque na administração. No início do governo, teve de aceitar a Secretaria Municipal da Educação. Diante da falta de verbas, Oliveira deixou vazar ofício no qual cobrava o repasse de 30% para o ensino fundamental, como dita a Lei Orgânica do Município.
O procedimento provocou o primeiro entrevero entre Pitta e seu vice. Depois, Oliveira foi exonerado do cargo de secretário. Pediu que seu salário fosse suspenso, alegando que não exercia nenhuma atividade na administração. Pitta retrucou despejando Oliveira de seu gabinete. Após as eleições, em 1998, iniciaram uma reaproximação, que culminou com a nomeação do vice para a Corredoria do Serviço Público Municipal.





