Pitta quer que motoristas paguem prejuízo por liberação de catracas
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Natalie Antar, especial para a AE 
São Paulo, 14 (AE) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (sem partido), afirmou hoje pela manhã estar irritado com a atitude do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ínibus, que na tarde de sexta-feira (11) fez a operação "catraca livre" no Terminal Parque D. Pedro II, na região central da cidade. E provocou prejuízo de R$ 92 mil para as empresas, segundo o Transurb (sindicato patronal). "Já determinei que a São Paulo Transportes entre com uma ação de indenização contra o sindicato, que deve ser responsabilizado pelo prejuízo, pois confesso que fiquei muito irritado", disse Pitta.
"Eles podem achar até muito bonitinho e engraçadinho, mas eu não acho nada engraçado" afirmou o prefeito. "Esse prejuízo causado ao sistema de transporte será cobrado do sindicato."
Protesto - A operação "catraca livre" aconteceu entre 16 e 18 horas, apenas no Terminal Parque D. Pedro II. De acordo com a São Paulo Transportes (SPTrans), 80 mil passageiros passam no horário pelo local. A manifestação foi motivada pela decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, de suspender os 3,88% de reajuste salarial concedidos à categoria no dia 24 de maio pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou também a manutenção dos benefícios aos trabalhadores.
O sindicato das empresas de ônibus (Transurb) recorreu da decisão e venceu. Na semana passada o sindicato organizou uma série de protestos que paralisaram atividades de vários terminais de ônibus das 9 horas ao meio-dia. A cada dia eram escolhidas duas regiões da cidade para as manifestações. O último ocorreu na sexta-feira, com a liberação da catraca.
"Eu lembro para a classe dos motoristas e cobradores que a cada paralisação feita por eles é fortalecida a posição dos perueiros", disse o prefeito. "Essas atitudes dão mais argumento aos perueiros, que também estão reivindicando os seus direitos." Na semana passada ele anunciou o veto a projeto que previa a regularização de mais lotações.
Sindicato - De acordo com o sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo, a Prefeitura e os donos de empresas de ônibus da capital deveriam ter mais respeito com a categoria. "É um absurdo essa conversa de indenização", afirmou o secretário de imprensa do sindicato, Geraldo Diniz da Costa. "O prefeito precisa pressionar o Transurb e a SPTrans para que os trabalhadores do transporte coletivo recebam seus direitos." "Não estamos com medo de nada, na verdade estamos cansados de tanto ouvir promessas falsas", disse o secretário de imprensa do sindicato.


