Pitta quer acordo sobre privatização da Sabesp. Covas é contra
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terça-feira, 14 de dezembro de 1999
Por Mariana Martinez e Teresa Barbosa 
São Paulo, 14 (AE) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), disse hoje que vai propor um acordo ao governador Mário Covas (PSDB) para a venda da concessão dos serviços de água e esgoto na capital, sistema controlado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa do Estado. Covas voltou a ameaçar hoje recorrer à Justiça caso esses serviços sejam privatizados. "Vamos reagir fortemente com todo instrumental jurídico para evitar a privatização", disse o governador hoje, durante inauguração de obras de saneamento básico nas regiões do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Pitta, no entanto, afirmou acreditar no acordo. "O interesse do governador é o mesmo que o meu em relação ao cidadão paulistano."
O prefeito reafirmou sua intenção de vender a concessão dos serviços da Sabesp com outros ativos do município, como o Estádio do Pacaembu, o Autódromo de Interlagos e a Anhembi Turismo para quitar parte da dívida municipal com a União. Ontem (13), o prefeito e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, assinaram contrato de renegociação da dívida, que ainda vai ao Senado para apreciação. O débito com a União é de R$ 10,5 bilhões. O refinanciamento será num prazo de 30 anos, com taxa de juros de correção de 6% ao ano mais a variação do IGP-DI. A Prefeitura terá 30 meses para fazer o pagamento de até 20% do total refinanciado. Caso isso não seja cumprido, os juros do contrato passarão a ser de 9% ao ano, retroativos à data da aprovação no Senado, quando o acordo passa a valer efetivamente.
Pitta informou que recebeu do Esporte Clube Corinthians Paulista uma carta de intenções manifestando interesse na compra do Estádio do Pacaembu, na capital. O clube, no entanto, nega ter oficializado qualquer intenção de comprar o estádio.
A assessoria de imprensa do Corinthians informou que a Hicks Muse Tate & First, um dos maiores administradores de fundos dos Estados Unidos e empresa parceira do clube, tem previsto em seu contrato com o Corinthians a construção de um novo estádio, sobre o qual receberia dividendos.
Gramado - Segundo a assessoria, quando o Corinthians jogava no Pacaembu, os jogadores reclamavam da qualidade do gramado e o clube apenas ajudou financeiramente na recuperação do gramado. As declarações do prefeito foram feitas após a inauguração do Piscinão do Bananal, na zona norte de São Paulo, dentro do programa da Prefeitura para reduzir o problema das enchentes na metrópole.
Covas voltou hoje a defender a Sabesp. Ele afirmou que, só nos últimos quatro anos, a empresa implantou água para cinco milhões de pessoas na capital, que até então dependiam de rodízios de abastecimento. "Mas o que se vai fazer agora, pegar este patrimônio da Sabesp e entregar para alguém?", perguntou. "O que eu faço com os funcionários da empresa, mando para a rua?"
Dúvida - O governador lembrou que a estatal também presta serviços a outros municípios metropolitanos que podem ter em sua área reservatórios de água para abastecer a capital. "Como vamos fazer se um dia alguém quiser explorar essa concessão e o reservatório estiver, por exemplo, em Mairiporã?", indagou. O governador quer saber se a cidade em questão vai querer ceder a água aos paulistanos ou se os novos concessionários vão ter de pagar para obter este abastecimento.


