Pitta nega pagamento de propina para licitação no transporte
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 29(AE)- O prefeito do município de São Paulo, Celso Pitta, e o secretário de Transportes Getúlio Hanashiro, negaram hoje a acusação de pagamento de propina para licitação no transporte urbano da capital, conforme veiculou reportagem do Jornal Nacional, na noite de ontem. Segundo a denúncia, o empresário deveria pagar 5% do que teria direito a receber na operação da linha de ônibus urbano. Os dois afirmaram também que pretendem processar o empresário que fez a denúncia e a Rede Globo por co-responsabilidade na divulgação de uma denúncia sem prova material. O valor da propina seria de R$ 2 milhões.
"Nada do que foi dito é verdade, é uma grande farsa. Esse empresário foi impossibilitado de prestar serviço para a prefeitura", afirmou Pitta. Na avaliação do prefeito, o que motivou a falsa denúncia seria a eliminação dos subsídios, a abertura de novas licitações e ou credenciamento de cerca de 4 mil perueiros. O secretário Hanashiro afirmou conhecer o nome do empresário e a empresa, mas não quis revelar nenhum nome para não atrapalhar o andamento da ação no Ministério Público.
"Vou solicitar junto ao Ministério Público que o jornalista identifique o empresário sob pena de ser responsabilizado pela denúncia vazia", disse Hanashiro. Mesmo evitando identificar a empresa e o dono, o secretário deu algumas pistas. Disse que a empresa opera na zona leste, não é de grande porte e teve o contrato com a SP Transportes reincidido no início do ano por oferecer serviço deficiente (falhas operaci onais, falta de pagamento de funcionários, ônibus sem manutenção, cobertura inadequada das linhas e diversas paralisações). Hanashiro disse também, que o mesmo empresário já havia procurado outra emissora antes da Rede Globo para fazer essa denúncia.
O secretário alega, que pela própria mecânica de pagamento do sistema de transporte coletivo na cidade é improcedente a denúncia de pagamento de proprina. "A receita total vem para a SP Transportes que diariamente ressarci as empresas. Relatórios diários são encaminhados ao Transurb (Sindicato das empresas de ônibus) e portanto a denúncia do pagamento de 5% para que uma empresa seja beneficiada em relação a outra não procede. Cada uma das empresas tem controle do pagamento, não há como furar este esquema", disse o secretário. Ele lembrou ainda que a última licitação foi realizada em 1992, com o processo de municipalização (introdução da remuneração pelo custo).
Hanashiro negou também, que tenha estado na fazenda Jamaica, de propriedade da família do vereador Armando Mellão (PMDB), presidente da Câmara e apontado pela ex-primeira dama, Nicéa Pitta, de participar das irregularidades na atual gestão municipal. O prefeito Celso Pitta também negou outra denúncia veiculada ontem no Jornal Nacional: A de que tenha estado com o pianista João Carlos Martins num hotel da Capital paulista. Este teria atuado como intermediário dos dois empresários na tentativa de agilizar o recebimento de uma dívida com a prefeitura paulistana.


