São Paulo, 19 (AE) - Apesar de estar fazendo vistorias nas obras do primeiro trecho do fura-fila e de prometer a entrega de uma parte para 30 de agosto, pouco mais de um mês antes das eleições para a Prefeitura, o prefeito Celso Pitta (PTN) não vai providenciar nesta administração a operação comercial do sistema
sua principal promessa de campanha.
Isso significa que o eventual sucesso ou fracasso do novo sistema, o Veículo Leve sobre Pneus (VLP), ficará para o próximo prefeito. Oficialmente, Pitta diz que ainda não é candidato à reeleição e só decidirá sobre isso em maio. Hoje(19) ele esteve nas obras que a construtora Queiroz Galvão está fazendo no trecho entre o Parque D. Pedro e o Sacomã.
Apenas parte desse trecho, do Parque D. Pedro à Praça Alberto Lion, na Mooca, está prometida para o fim de agosto. Pitta disse hoje que o fura-fila funcionará em caráter "experimental". A São Paulo Transporte (SPTrans) informou hoje à Agência Estado o que isso significa: a empresa que ganhar a licitação não fará a operação comercial até ter os próprios veículos.
Isso demorará pelo menos seis meses, segundo o gerente de Concessões da SPTrans, Jorge Fukuda. Como a licitação tem o término previsto somente para julho, a operação comercial não começará antes do ano que vem. De setembro a dezembro, a empresa vencedora terá somente "três ou quatro" veículos, segundo Fukuda, para operação não-comercial. Ou seja, testes.
O motivo da demora para a entrada em funcionamento é duplo. Primeiro, porque o trecho completo, até o Sacomã, deve demorar, conforme Fukuda. Segundo porque, ao contrário do que ocorre com boa parte das empresas que participam de concorrência idêntica para a concessão dos ônibus municipais, o consórcio vencedor terá de mandar fazer todos os veículos que serão utilizados no sistema.
Edital - No dia 3 de fevereiro haverá audiência pública sobre o edital para a concessão da operação. Pela minuta do edital, já pronta, poderão participar da concorrência consórcios, nacionais ou internacionais, com até dez empresas. Eles precisarão ter experiência em transporte de grande ou média capacidade: ônibus, metrô, trens ou VLPs.
Além de adquirir os veículos, o consórcio precisará construir a garagem, se necessário, comprar o terreno e instalar o sistema de comunicações e o controle computadorizado. Após a audiência, a SPTrans estará colhendo sugestões durante 15 dias úteis, até a publicação do edital.
De acordo com Fukuda, o prefeito determinará o preço da passagem na véspera da inauguração. Todos os cálculos das empresa baseiam-se na atual tarifa de ônibus da cidade, R$ 1,25 - não está sendo considerado o desconto de R$ 0,10 para quem paga a passagem no próprio veículo.

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