Pitta muda cargos sem consultar partidos
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 20 (AE) - A Prefeitura demorou um dia para iniciar a retaliação aos vereadores governistas que votaram na terça-feira a favor da abertura da comissão processante que vai analisar o pedido de impeachment do prefeito Celso Pitta (PTN). Na quarta-feira, um dia após a votação na Câmara, duas demissões mostram que a ação costurada nos bastidores do Palácio das Indústrias foi rápida. Apesar de a Prefeitura negar oficialmente que haja uma retaliação, o Estado apurou que ela vai continuar.
A secretaria de Habitação, que era disputada pelo PTB e PMDB, tem a partir de hoje novo titular. Na quarta-feira a procuradora Antônia Aparecida Pereira pediu demissão. No lugar dela Pitta nomeou outra técnica, a arquiteta Elisabete França, tirando a chance de os partidos conseguirem uma indicação para a pasta. O PTB e o PMDB foram decisivos na votação da terça-feira.
Também ontem (19) Pitta exonerou o administrador regional do Ipiranga, João França Teixeira Neto. A regional é tradicionalmente comandada pelo vereador Domingos Dissei (PPB), um dos que votaram contra Pitta. Por ter sido secretário das Administrações Regionais até o ano passado, Dissei é citado no círculo do prefeito como um dos que nunca poderiam ter tido essa posição.
A reportagem apurou que outro provável alvo do prefeito será o vereador Toninho Paiva (PFL), que tem tradicionalmente influência na Administração Regional da Mooca. Ele também votou contra Pitta na terça-feira, quando restaram somente três vereadores a favor de Pitta: Brasil Vita e Wadih Mutran (PPB) e Miguel Colasuonno, o único dos dez vereadores do PMDB a manter o apoio ao prefeito.
A ex-secretária Antônia Pereira confirmou hoje que o PTB e o PMDB pleiteavam a secretaria. Ela disse, no entanto, que sua saída na quarta-feira não teve relação com a abertura de investigação sobre o prefeito. "Fiz o pedido em fevereiro e só agora o prefeito pôde decidir", disse. Ela contou que assumiu a pasta em setembro em caráter provisório e sempre pediu para sair. "Disseram-me que eu ia ficar só um mês."
Segundo o assessor de Imprensa de Dissei, Mauro Ramos, o vereador não foi retaliado porque o cargo era do prefeito. "Foi o prefeito que nomeou e demitiu", disse Ramos, em nome de Dissei. O secretário de Comunicação Social da Prefeitura, Antenor Braido, negou a existência de retaliação por parte do prefeito.


