São Paulo, 20 (AE) - A Prefeitura tenta dar início em julho ao plano de recuperação da imagem da atual administração e
consequentemente, do prefeito Celso Pitta, perante a população. A agência de publicidade DPZ foi escolhida para cuidar das campanhas oficiais em jornal, rádio e televisão. O contrato será assinado nos próximos dias.
Para "comunicar" aos paulistanos o que a Prefeitura vem fazendo nos últimos meses, a agência terá à disposição R$ 20 milhões, para gastar até o fim do ano. A verba, anual, era para ser investida desde o início do ano, mas a disputa entre as agências impediu a aplicação do montante por vários meses. Assim
Pitta poderá gastar todo o dinheiro no segundo semestre.
A intenção é investir maciçamente na veiculação das questões de cunho social, tentando reverter a má imagem do prefeito, criada pela crise político-administrativa e, quem sabe
transformá-lo num "produto" eleitoral mais aceitável para as eleições do ano 2000.
A limpeza pública deverá ser o primeiro tema a ser abordado, seguido por educação, saúde, emprego e habitação. Uma campanha de conscientização para que o paulistano não jogue o lixo nas ruas - e, desta forma, não entupa os bueiros - deve ser veiculada já em julho.
Segundo Tom Eisenhlohr, consultor de Projetos Especiais da DPZ, a orientação do prefeito é fazer campanhas educativas, informativas e de utilidade pública. "Não vamos fazer campanhas do tipo olha como eles são bons", diz o consultor. Ele afirma que a DPZ pretende oferecer campanhas comunitárias e não fazer política eleitoral. "Do contrário, não teríamos entrado na concorrência."
O secretário de Comunicação Social da Prefeitura, Antenor Braido, diz que "a preocupação de publicidade não pode ser com o Pitta". Ele afirma que as informações sobre o que tem sido feito nas áreas sociais terão prioridade, como "a construção e melhoria de escolas, as mudanças na saúde, a vacinação de idosos e a ampliação do Projeto Cingapura". "Vamos mostrar o que foi feito e não foi comunicado ainda pela falta de contratação de uma agência."
Licitação - A conta publicitária da Prefeitura criou uma disputa entre a DPZ e a Salles/DMB&B, que durou quatro meses, com direito a acusações e ações judiciais. O empenho das agências não foi à toa. Além do prestígio em manter a conta da Prefeitura, o contrato envolve cifras consideráveis por um ano e com direito à renovação.
A briga entre as empresas começou na abertura das propostas comerciais para a licitação. Até aquela etapa, a Salles era a primeira colocada na disputa, com 80 pontos obtidos na proposta técnica. Em segundo lugar, vinha a DPZ, com 78 pontos. Quando foi feita a abertura dos envelopes, porém, houve a surpresa: a DPZ apresentou preços mais baixos, com um desconto de 99% no item de custos operacionais internos.
A Salles reagiu imediatamente e acusou a DPZ de desrespeitar as determinações do Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp), criado em dezembro para disciplinar as agências, os veículos de comunicação e os anunciantes. "Para nós, o custo era irrisório, por isso fizemos o abatimento", disse Eisenlohr, da DPZ.
Pelas normas da licitação, a Salles poderia ficar com a conta desde que, em uma reunião, aceitasse equiparar seu preço ao da DPZ. Isso não ocorreu. Na reunião, a empresa pediu a impugnação da proposta da agência concorrente.
Apesar de o juiz da 1.ª Vara da Fazenda Pública ter concedido liminar suspendendo a licitação, a Salles resolveu desistir da disputa pela conta, pois a discussão prometia ser muito longa. Na sexta-feira, foi oficializada a vitória da DPZ.

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