Pitta evita falar de Maluf após ser acusado de "traidor"
São Paulo, 24 (AE) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (sem partido), negou-se hoje a comentar a declaração de seu padrinho político, Paulo Maluf (PPB), que o chamou de "traidor" por meio de uma nota oficial divulgada na sexta-feira. No Teatro Municipal, ao fim da cerimônia comemorativa dos 50 anos dos trólebus na cidade, Pitta respondeu a todas as perguntas da mesma forma: "Nada a acrescentar."
Foram dez as vezes que o prefeito repetiu a frase em menos de três minutos de entrevista. Pitta referiu-se a Maluf como "este senhor" e afirmou que já havia dito tudo que pensa de seu mentor político na nota distribuída por ele na quinta-feira.
No comunicado, o prefeito disse que Maluf insiste na questão do impeachment para pôr um "ponto final" nas investigações e inocentar culpados. Em outro trecho, Pitta questionou as medidas tomadas por seu padrinho político para combater as irregularidades. "Se Maluf tivesse o pulso firme que diz ter, este governo não estaria tendo de arcar com heranças por ele deixadas."
Farpas - A resposta do ex-patrão e ex-chefe político também foi divulgada por meio de uma nota. Maluf mostrou-se "arrependido" de ter indicado Pitta para os paulistanos. Maluf ainda acrescentou que o prefeito deveria preocupar-se mais em melhorar a qualidade de vida do paulistano do que em agredi-lo. "Na verdade, ele é traidor dos votos que recebeu, até porque sozinho ele não teria voto nenhum", acusou o pepebista.
Na campanha para Prefeitura, em 1996, Maluf pediu à população que nunca mais votasse nele se Pitta não fosse um bom prefeito.
As trocas de farpas marcam o distanciamento definitivo entre Maluf e seu sucessor, que tinha a função de manter a prefeitura paulistana vinculada à máquina malufista enquanto o líder pepebista tentava alcançar postos mais altos. Esse rompimento faz parte da estratégia de Maluf, que não quer continuar com sua imagem vinculada à da atual administração.





