Pitta é refém da própria bancada
São Paulo, 21 (AE) - Pela terceira vez, o prefeito Celso Pitta (sem partido) é refém da própria bancada que o apóia, na Câmara Municipal. Em todas elas, os vereadores se fortaleceram politicamente perante o Executivo, após a ameaça de cassação do mandato do prefeito.
A primeira ameaça ocorreu antes mesmo de Pitta tomar posse, em 1997. Na época, o então futuro prefeito anunciou que os vereadores não teriam controle sobre as administrações regionais, prática comum nas gestões anteriores e forte "moeda" política nas relações entre o Executivo e o Legislativo. Pitta cedeu e as relações voltaram ao normal.
Em abril do ano passado um grupo de 12 vereadores da bancada governista "rebelou-se" contra Pitta, exigindo maior espaço político no governo municipal. O bloco dos "rebeldes", que contou com o apoio informal do vice-prefeito Régis de Oliveira, chegou a cogitar o afastamento de Pitta.
Mais uma vez, o comando político do Palácio das Indústrias cedeu e o grupo dissolveu-se. Nessa ocasião, foi importante a ação dos chamados "cardeais", grupo de vereadores do PPB mais próximos de Pitta, como Nelo Rodolfo, hoje deputado federal, e Brasil Vita.
Desta vez, Pitta viu-se ameaçado de "despejo" do cargo em meio a denúncias de corrupção na administração municipal e uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as administrações regionais. A queda-de-braço foi vencida pelo Executivo poucas horas antes do processo de cassação ser colocado em votação no plenário.





