São Paulo, 09 (AE) - O prefeito de São Paulo ,Celso Pitta (sem partido), e o secretário dos Transportes, Getúlio Hanashiro, devem discutir na próxima semana o projeto que regulamenta o transporte feito por lotações (peruas) na capital. Na conversa será definido o documento que o governo municipal enviará à Câmara. A nova lei é necessária porque a Justiça suspendeu a legislação anterior.
Após o recesso parlamentar, os vereadores devem receber o projeto do Executivo, que prevê a regulamentação de cerca de 4.300 lotações na capital. Estudo feito pela São Paulo Transportes (SPTrans) e entregue a Pitta e a Hanashiro nesta semana prevê que o número de lotações não poderá ser maior do que 40% do total da frota de ônibus que circula na cidade.
Os donos de lotações também não poderão concorrer diretamente com as linhas de ônibus, como ocorre hoje. A novidade do projeto deve ser a exigência de que as lotações utilizem sistema de catracas eletrônicas para o embarque de passageiros. As licenças para transporte de passageiros serão concedidas por meio de concorrência pública.
Os perueiros terão de aceitar todos os vales recebidos pelo sistema de ônibus e transportar gratuitamente idosos e deficientes. A licença será individual e com validade de cinco anos. Prefeito e secretário devem debater também como a administração fará a fiscalização das novas regras e como retirar das ruas os clandestinos.
Emprego - As novidades agradam aos perueiros. O cobrador Michel Eduardo dos Santos, de 20 anos, porém, detestou a idéia da catraca eletrônica. "Péssimo, vou ficar sem emprego." Usando sempre uma camisa com a inscrição "100% lotação", ele não deixa dúvidas do que pensa sobre a regularização do serviço. "Tem de regularizar."
O motorista Sidnei Santos, de 39 anos, concorda com isso. "Se eu não estiver ganhando dinheiro aqui vou ganhar onde?" Ele é formado em farmacologia, mas trocou as receitas pelo volante da van há dois anos, período em que está desempregado.

mockup