Pitta e administradores regionais participam de seminário sobre ética
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domingo, 28 de março de 1999
Por Andréa Portella 
São Paulo, 29 (AE) - Administradores regionais e outros funcionários da Prefeitura participaram hoje do primeiro dia de debates do Seminário Internacional Eficiência e Ética na Administração Pública. Cerca de 40 pessoas estiveram nos auditórios do Instituto Superior da Empresa (ISE). Entre os temas discutidos hoje estavam gerenciamento e motivações humanas e as formas de dirigir a administração pública.
O prefeito Celso Pitta compareceu à abertura do seminário. Em seu discurso, ressaltou a transparência com que a Prefeitura está lidando com as denúncias de corrupção na administração municipal. "Até agora, apuramos todas as denúncias que chegaram até nós", afirmou. Segundo ele, a criação da corregedoria municipal, coordenada pelo vice-prefeito
Régis de Oliveira, é uma das demonstrações do interesse que existe em solucionar os problemas que estão sendo descobertos.
O secretário das Administrações Regionais, Domingos Dissei, disse durante a cerimônia de abertura, que é preciso que o funcionário público "tenha juízo". Por "juízo" ele disse entender a necessidade de trabalhar com transparência, "falando a verdade". Vangloriando-se de um trabalho que, segundo ele, durou três meses, o secretário destacou o fato de todos os administradores regionais serem agora funcionários de carreira. "O administrador regional não terá mais influência política".
Tanto Dissei quanto Pitta falaram sobre o projeto que prevê o emprego de dez estagiários em cada administração regional, com a função de trabalhar na área de fiscalização. "Vamos colocar os estagiários e ficar atentos à eficiência no serviço público", comentou Dissei. Ética - A secretária de Estado da Administração e do Patrimônio, Cláudia Costin, que também participou da abertura do evento, acredita que o serviço público no Brasil ainda não é prestado de maneira adequada, mas disse estar otimista com relação ao processo que está transformando essa postura. "Estamos construindo a cidadania".
Na avaliação dela, transparência e menos burocracia são os caminhos para a moralização da administração pública. "O cidadão tem de pressionar o Estado". Como exemplo, Cláudia citou as "tiazonas", que participaram de uma manifestação na Câmara de São Paulo. "É preciso discutir a qualidade dos serviços públicos, cobrar e exigir".
A secretária afirmou não estar a par de detalhes sobre os problemas da administração paulistana, mas disse estar certa que não pode haver compromisso com o clientelismo. "É preciso profissionalizar". Na avaliação do jurista Ives Grandra Martins
a falta de vontade política para mudar a situação ainda é o maior entrave às mudança na administração pública no Brasil. "Nosso grande problema é político", disse. "Mas a população não vai suportar por muito mais tempo essa situação".


