São Paulo, 26 (AE) - O prefeito Celso Pitta (PTN) disse hoje que nunca se considerou afastado da Prefeitura. Desde sexta-feira, quando o juiz da 13.ª Vara da Fazenda Pública, Olavo Sá Pereira da Silva, concedeu liminar que afastava Pitta do cargo, funcionários do flat onde o prefeito mora não sabiam informar seu paradeiro. Após a decisão do desembargador Hermes Pinotti, reconduzindo-o à Prefeitura, Pitta disse que a liminar suspensa foi uma "manobra política" de seus adversários. Ele classificou o vice-prefeito Régis de Oliveira (PMN) de ser "oportunista", por ter anunciado que trocaria todo seu secretariado. "Não haverá quebra na linha de governo", garantiu, em entrevista concedida à Rádio Bandeirantes, por telefone:
De onde o senhor está falando?
Da casa de amigos, como sempre solidários nos momentos mais difíceis da gestão. Faço notar neste momento o teor da decisão do desembargador Pinotti. Em linguagem mais acessível, ele julgou que o juiz que definiu o afastamento não explicou as razões dessa decisão para o bom andamento do processo. A liminar que me afastou era viciada.
O senhor saiu da cidade desde sexta-feira?
Permaneci próximo a São Paulo, na casa de amigos, que nos dão nesses momentos difíceis o apoio efetivo e a amizade que todo ser humano precisa.
O senhor chegou a ser afastado de fato? A cidade ficou num vazio político por dois dias?
Juridicamente, não. A leitura dos depoimentos de juristas conceituados é pelo não-afastamento efetivo, por razões como a não-citação do prefeito. Esta nova decisão mostra a fragilidade da decisão anterior. Sempre falo que nossa posição é estar do lado da verdade. Reafirmo minha total confiança na Justiça e na população de São Paulo, que reconhece nesse episódio mais uma manobra política dos nossos adversários.
Sua situação política não fica comprometida, mesmo com a revisão da liminar de sexta-feira?
Parte dessa decisão do desembargador Pinotti neutraliza os efeitos negativos do ponto de vista político, produzidos por aquela decisão em primeira instância.
Os votos de seis dos dez vereadores do PMDB, conforme declarou o vereador Miguel Colasuonno, e do PTB devem dar o total necessário à abertura da Comisão Processante. O senhor vai trabalhar para mudar isso?
Exatamente. Essa posição do vereador Colassuono e de outros vereadores decorrem daquela posição de sexta-feira. É claro que o quadro político ficou tomado de surpresa por aquela decisão. Sendo ela neutralizada, todas essas posições serão revistas.
O senhor teme que a parte administrativa da cidade seja prejudicada?
Em nenhum momento houve descontinuidade administrativa. São Paulo jamais deixou de ter um prefeito em exercício, sob o ponto de vista jurídico e efetivo. Não haverá quebra na linha de governo ou qualquer aspecto que possa prejudicar o gerenciamento da cidade.
Quando será a sua primeira aparição pública?
Amanhã estarei despachando na Prefeitura, como sempre, entre 8h30 e 9 horas. A Prefeitura segue sua normalidade. Se fiquei duas semanas no gabinete foi para resolver administrativamente os problemas causados por essa crise. Estarei nas ruas a partir de terça ou quarta-feira, visitando as obras, verificando as condições de funcionamento da cidade e falando com a população.
O que o senhor achou da manifestação de sábado do vice-prefeito Régis de Oliveira dizendo que, tomando posse, afastaria todo o seu secretariado?
A posição do vice-prefeito foi precipitada. Ao nomear novo secretariado e informar antecipadamente da substituição dos atuais, ele não respeitou o rito processual que, como desembargador, deveria respeitar. Mas isto não constitui surpresa. Todos sabem do caráter oportunista, da personalidade do vice-prefeito.