Pitta diz que Régis saiu por causa da defesa do impeachment
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domingo, 30 de maio de 1999
Por Paula Pereira 
São Paulo, 31 (AE) - O afastamento do vice-prefeito, Régis de Oliveira (sem partido), da Corregedoria do Serviço Público Municipal foi uma "medida de correção tomada no momento certo"
que deve "ampliar o fortalecimento" da atual administração municipal. "Já não havia relacionamento (com ele) desde que seu escritório atuou contra a Prefeitura e ele assumiu sua posição com relação ao impeachment." As justificativas do prefeito Celso Pitta (sem partido) para a exoneração do vice, publicada no Diário Oficial de sábado, foram dadas hoje, durante visita à Administração Regional de Itaquera.
"O fortalecimento do governo já vem sendo largamente ampliado desde o meu afastamento do PPB e do ex-prefeito Paulo Maluf", afirmou Pitta. O prefeito lembrou que a administração conquistou espaço também com as derrotas da oposição na Câmara. Dia 20, os vereadores que apóiam Pitta arquivaram o processo de pedido de seu impeachment com 30 votos.
Uma semana depois, o bloco governista aprovou, com 29 votos, requerimento que prorroga a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais por apenas três dias, o que, na prática, enterra de vez as investigações no Legislativo. "O melhor que a oposição tem a fazer é respeitar o desejo da maioria e assimilar sua fragorosa derrota", alfinetou o prefeito.
"Frágil" - Após reunião com representantes de comunidades de Itaquera, na regional, Pitta disse que a situação de Régis começou a ficar "fragilizada" quando o escritório dele passou a defender perueiros clandestinos contra a Prefeitura. A gota dágua teria sido a posição do vice diante da proposta de impeachment do prefeito. Régis seria um dos que articulavam pela derrubada de Pitta.
"Não o chamei de infiel, mas ter um vice com uma outra postura seria extremamente positivo." No fim de semana, a Assessoria de Imprensa do prefeito já havia divulgado que o comportamento de Régis não havia correspondido às expectativas do cargo, que exige alguém "apartidário e impessoal".
O relacionamento entre os dois foi conturbado desde o início desta gestão, em 1997. Régis demonstrou seu interesse em projetar-se para uma candidatura ao governo estadual ou à sucessão de Pitta, por meio de um cargo expressivo na atual administração, mas foi deixado de lado.
Ele foi exonerado do cargo de secretário da Educação por criticar o não-repasse da verba obrigatória de 30% do orçamento para o setor. Desde então, ficou "encostado", até ser nomeado corregedor, em março. A manobra foi uma tentativa do prefeito de mostrar isenção, ao indicar um desafeto.
Hoje, Pitta insistiu em afirmar que as investigações da Corregedoria continuarão normalmente, sob o comando-interino da procuradora Cynthia Thaís de Lima Sinisgalli Reginato, do Departamento de Procedimentos Disciplinares (Proced). Uma pessoa de fora do Palácio das Indústrias, provavelmente um juiz ou um advogado, deve assumir o cargo.
A AR-Itaquera, vistoriada por Pitta hoje, está em 22.º lugar
entre as 27 regionais, no quesito solicitações da população atendidas. Nada menos que 1.801, ou seja, 57,8% das solicitações estão pendentes. Dentre as principais queixas está a limpeza de bueiros e galerias pluviais.


